ESPORTES
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 20h:41
A
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HOLANDA
Trabalho técnico vira prioridade
WILSON BALDINI JR.
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Não tá comigo, tá com ele. Toque me voy. Show de bola. O treinamento de ontem na hora do almoço realizado pela seleção holandesa em um dos campos da Universidade de Wits, em Johannesburgo, foi, talvez, o primeiro grande momento da Copa da África do Sul. Por cerca de uma hora, os 20 jogadores de linha apenas trocaram passes. Em nenhum momento houve uma finalização a gol, um carrinho ou treinamentos com a bola parada. Com os representantes da "Laranja Mecânica" de 2010, a bola rola rasteira e, em alguns momentos, com muito efeito. "É uma característica do futebol holandês. Sempre tivemos times que souberam tocar a bola, técnicos, mas este aqui é especial. Gostamos quando a atividade aprimora o toque de bola", disse Wesley Sneijder, o camisa 10. Em um primeiro momento do treino nada de novidade. O "bobinho" serviu para aquecer o grupo e melhorar o domínio de bola. As novidades vieram depois. Foram formados quatro grupos com cinco jogadores, formando um quadrado próximo ao meio de campo. Quatro bolas foram distribuídas e deram um ritmo frenético à atividade, com os toques cada vez mais rápidos. Em sentido horário, um jogador de um grupo toca para o seguinte e assim por diante. Poucos foram os erros cometidos. Com a mesma distribuição em campo, um atleta de cada grupo foi destacado para ficar nos espaços entre os grupos. Ele ficou responsável por dar o toque em transversal. Aí foram seis as bolas usadas. Surgiram alguns erros que foram rapidamente advertidos pelo técnico Bert van Marswijk, de 58 anos. "Gosto que meu time agrida o adversário. Para isso, precisamos saber criar jogadas e para criar jogadas temos de saber tocar a bola", disse o treinador, que substituiu no cargo Marco Van Basten. A última parte do treino foi reservada para os passes um pouco mais longos. Detalhe: sempre com a bola rasteira. O jogador dá um passe e se desloca até o grupo seguinte de jogadores. A constante movimentação e a troca de posições é uma das características do time holandês, que se classificou nas Eliminatórias, com oito vitórias em oito jogos. Os jogadores não fizeram nenhum exercício para fortalecer a parte física. "O trabalho muscular forte já foi feito há tempo. Os jogadores estão em fim de temporada e é preciso ter cuidado para não forçar desnecessariamente os jogadores. É só ver o que já aconteceu com alguns atletas de outros", disse o treinador holandês, que é sogro do capitão do time, Mark Van Bommel, do Bayern de Munique. Outro ponto de destaque no treino holandês foi a descontração. Por várias vezes os jogadores brincaram um com o outro, aos gritos e gozações, demonstrando alegria no treinamento. O carrossel holandês parece estar no caminho certo desta vez.