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Sábado, 19 de Junho de 2010, 15h:43

Torcedores mostram confiança

ANA PAULA GARRIDO
Da Agência Estado – São Paulo
Alegre e confiante. Esta é a definição da torcida da Costa do Marfim presente no Brasil. A maioria vem para estudar, aproveitando programas de bolsas de intercâmbio entre os países. "É a única forma de vir legalmente", explicou Boni Yavo, um dos primeiros a desembarcar, em 1987. Dos cerca de 150 marfinenses que vivem no Brasil, poucos voltam: "A gente se apaixona, casa e fica", explicou o marfinense Boubakar Sanfo, casado com a brasileira Gisele, quem conheceu logo na chegada. "Nos vimos na primeira semana, mas ela era muito nova. Fomos nos reencontrar alguns anos depois. Dessa vez, deu certo", contou. Apesar das diferenças de costume e idioma - principal problema enfrentado por eles quando chegam -, Boubakar, conhecido como Bouba, afirma se sentir em casa agora. "Até esqueço que não sou daqui", disse em tom descontraído. O que não dá para esquecer, no entanto, é a família que continua na terra natal. Para matar a saudade, Bouba e os cerca de 50 marfinenses que moram em São Paulo se encontram uma vez por mês. "Nós nos ajudamos. Não temos família aqui, mas temos os conterrâneos, que dão apoio moral", comentou Boni. Em geral, a reunião é feita na casa de um dos marfinenses, como forma de mantê-los unidos, diminuir a saudades dos parentes e, principalmente, transmitir a cultura africana para os filhos nascidos no Brasil. Tem dado certo. As crianças fazem amizade e algumas até torcem hoje para o Brasil. "Os filhos ficam divididos, mas como a Costa do Marfim será eliminada logo, todo mundo vai passar a torcer pela nossa seleção", brincou Gisele. No começo do mês, os imigrantes fizeram uma pelada contra os amigos brasileiros. Mesmo sem o talento dos profissionais, os jogadores de fim de semana fizeram questão de jogar uniformizados. O placar foi de 8 a 7 para o Brasil. "Foi um jogo duro e hoje (domingo) também será assim", previu Didier Kouakou. Tanto ele como seus conterrâneos não apostam na vitória do país de origem. No entanto, um empate já está de bom tamanho. "Qualquer resultado está bom. Só da Costa do Marfim participar já é uma vitória", disse.

Edição EDIÇÃO 16962




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