ESPORTES
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 20h:49
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SELEÇÃO
Teixeira descarta os erros de 2006
O presidente da CBF afirma que os erros cometidos na Alemanha não vão acontecer e criticou o grupo de jogadores da fracassada Copa
RODRIGO PETRY
Da Agência Estado São Paulo
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, voltou a criticar ontem o grupo de jogadores que defendeu o Brasil na Copa da Alemanha. Em evento em São Paulo, para anunciar o Grupo Pão de Açúcar como novo patrocinador da seleção brasileira, ele avisou que os erros cometidos em 2006 não serão repetidos no Mundial de 2010, na África do Sul. "O que aconteceu em 2006 certamente não voltará a acontecer mais com a seleção. Pelo time que tínhamos, aquela seleção foi uma grande decepção", disse Ricardo Teixeira, explicando que "faltou espírito de luta e grupo" aos jogadores na Copa da Alemanha, quando o Brasil entrou como grande favorito e foi eliminado nas quartas de final. Durante o evento de ontem, o empresário Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, chegou a cobrar uma nova postura da seleção brasileira na Copa de 2010. "A seleção vai ter uma postura diferente de 2006. Se for para ter erros, que sejam novos. Se não ganhar, vamos nos colocar como homens e sair com a cabeça erguida", afirmou. Mas Ricardo Teixeira garantiu que o técnico Dunga não permitirá que a postura de 2006 volte a acontecer na próxima Copa. "O Dunga só manterá jogadores que queiram jogar e façam esforço para jogar", disse o presidente da CBF, que já tinha criticado anteriormente o grupo da seleção brasileira que disputou o último Mundial. DINHEIRO - Um dos assuntos comentados por Ricardo Teixeira ontem foi a preparação para a Copa de 2014. Segundo ele, a construção e a reforma dos estádios podem ser financiadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Em nenhum momento está previsto que o governo federal investirá nos estádios. O que está previsto é o BNDES financiar algumas construtoras que irão fazer os estádios", explicou o presidente da CBF. Contrariando o discurso adotado em 2007, quando o Brasil foi escolhido como sede do Mundial, Ricardo Teixeira reconheceu recentemente que recursos públicos seriam utilizados nos estádios da Copa de 2014. Mas o ministro do Esporte, Orlando Silva, se apressou em explicar que esse dinheiro não sairá do governo federal, mas dos Estados e municípios que queiram investir nas obras de reforma ou construção das arenas. Ricardo Teixeira lembrou ontem que a maioria dos 12 estádios para a Copa de 2014 pertence ao poder público - apenas quatro deles são privados -, o que inviabiliza a desvinculação dos recursos públicos. "O BNDES é sócio de várias empresas, como de mineração e telecomunicações, e, ao investir nos estádios, serão destinados recursos de seu orçamento", afirmou o dirigente. SITUAÇÃO COMPLEXA - Ainda ontem, Ricardo Teixeira também falou sobre o projeto de adequar o calendário do futebol brasileiro ao europeu. Segundo ele, essa alteração, que está em estudo e já recebeu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não irá garantir a permanência dos jogadores nos clubes do Brasil. "A discussão sobre a venda de jogadores não pode ficar restrita ao calendário, mas sim aos clubes, que precisam implementar uma nova filosofia administrativa, fiscal e financeira. A saída de jogadores vai continuar", disse o dirigente, que pede paciência. "Seria pernicioso tomar uma decisão precipitada. A alteração tem seus prós e contras." ACORDO - Com o contrato assinado ontem, válido até a Copa do Mundo de 2010, o Pão de Açúcar passa a ser o sétimo patrocinador da seleção brasileira - Nike, Ambev, Itaú, Vivo, TAM e Gillette são os outros. A ideia da empresa é explorar a marca da rede de supermercados Extra. Para isso, deve investir cerca de R$ 5 milhões.