ESPORTES
Terça-feira, 08 de Julho de 2014, 20h:36
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E AGORA FELIPÃO?
Técnico assume a culpa pela humilhação
Felipão diz que culpa pelo fracasso brasileiro é inteiramente sua, mas não admite que tenha deixado uma dívida pelo fracasso ao torcedor
A seleção brasileira viu o sonho de conquistar a Copa do Mundo em casa se transformar no pior vexame da história: massacre da Alemanha por 7 a 1, no Mineirão, na tarde de ontem. Logo após a partida, o técnico Luiz Felipe Scolari falou sobre a derrota e assumiu a culpa. Disse que é o responsável, admitiu que esse foi o ponto mais baixo da equipe em toda a história e explicou os motivos que o fizeram apenas assistir aos cinco gols sofridos no primeiro tempo, sem alterações. O treinador também confessou que tentou enganar a imprensa treinando o time com Willian, quando já havia definido a entrada de Bernard. "Quem é responsável quando a equipe se apresenta? Quem é colocado como técnico? Quem é responsável pelas escolhas: sou eu. O resultado pode ser dividido porque os jogadores querem, porque dividimos as responsabilidades. Mas as escolhas, a parte tática, sou eu... o responsável sou eu" Ainda sem conseguir articular o vexame direito, o comandante brasileiro se viu na obrigação de pedir desculpa pelo fracasso, que vem acumulando desde sua boa participação com técnico da seleção portuguesa em 2006: "Primeiro peço desculpas pelo resultado negativo, por não chegar na final. Vamos trabalhar e honrar aquilo que é a nossa equipe, jogando pelo terceiro lugar em Brasília. Agradecer a todos, de forma categórica, e à torcida" Uma as principais reclamações atribuídas a Felipão durante o fracasso diante da Alemanha foi sua inércia em não mudar o time quando já perdia por 2 a 0 e vendo que seu esquema tática tinha sido o culpado pela derrota. Ainda assim, o técnico disse que não era o momento de mexer no time disse que mudança alguma reverteria a humilhação. "24 minutos, 25, 26, 28 e ninguém [nenhum jogador que entrasse] vai trocar nada! Foi um atrás do outro. Foi um branco total. Tentávamos falar para organizar, para ficar um pouco, porque foi pressão que deu tudo certo e deu errado naquele momento. Não tinha o que fazer naquela oportunidade. Mudar quando está em pane não vale a pena, então esperei" Apesar de assumir a responsabilidade pela humilhação, Luis Felipe Scolari assegurou não ter dívida alguma com o torcedor brasileiro que viu uma seleção sempre fraca em todos os jogos e que conseguiu ser pior que a de 50, que perdeu o título para o Uruaguai, de virada no Maracanã. Agora terá de disputar o terceiro lugar. "Eu não tenho divida. Eu fiz meu trabalho como em qualquer lugar. Fiz o que achava correto e melhor. Tivemos uma derrota hoje, mas desde um ano e meio para cá, essa foi a primeira derrota. Foi horrível pelo resultado 7 a 1, mas depois de 5 a 0 vai correr atrás para honrar, para mostrar que foi um desastre e foi o que fizeram. Não é dívida e nem credito". Ele não quis falar sobre uma possível demissão e garantiu não pede demissão antes de sábado, na disputa do terceiro lugar. Perdia até com Neymar Na avaliação do treinador, a seleção seria humilhada até com Neymar em campo. "Não vamos arranjar desculpa sobre isso, Neymar, emoção ou hino. O que aconteceu foi que a Alemanha impôs ritmo maravilhoso, conseguiu em dois ou três lances definir o jogo e aquilo influenciou a Alemanha que é boa e influenciou negativamente a minha. Teve 5 minutos de transtorno que influenciou a Alemanha. Não tem nada a ver com Neymar", disse Felipão. O treinador também aproveitou para explicar a decisão por escalar o atacante Bernard no lugar de Neymar, uma tentativa de enganar o adversário. "Vocês estavam lá e cobrem treinos, passam informações para o jornal de vocês e o adversário vê. A gente também quer confundir. Quando fomos à coletiva, falamos que tínhamos recebido informações, assistido vídeos e visto jogadas que podíamos fazer em cima de a ou b com jogador de velocidade e esse jogador era o Bernard, por isso colocamos ele no final do treino para ter as jogadas e foi isso que fizemos ontem em relação ao jogo de hoje", completou. Contra a Alemanha, Bernard fez seu primeiro jogo como titular pelo Brasil nesta Copa do Mundo.