ESPORTES
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2009, 23h:01
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VIOLÊNCIA
Presidente do Coritiba culpa torcida organizada do clube
EVANDRO FADEL
Da Agência Estado Coritiba, PR
O presidente do Coritiba, Jair Cirino, creditou à torcida organizada Império Alviverde os problemas ocorridos no último domingo, no estádio Couto Pereira, em Curitiba, que levaram à interdição do local. Além disso, reclamou de ameaças de morte e ao patrimônio do clube, feitas na última quarta-feira, o que o levou a pedir reforço à Secretaria de Segurança Pública e a aumentar o número de seguranças particulares. "Mas lamentavelmente escapou do controle e não só no estádio", acentuou. Segundo ele, as ameaças "gravadas e escritas" continuam. "Acho um absurdo ser ameaçado por um jovem e em tons agressivos", afirmou Cirino. Ele disse que há informações de que jogadores e funcionários também foram ameaçados. "Mas não quer dizer que sejam sérias", destacou. "As que foram ao presidente foram sérias". Tanto, que ele optou por, temporariamente, retirar a família da residência e passou a circular acompanhado de seguranças. A própria entrevista coletiva de ontem foi realizada em uma chácara na cidade de Quatro Barras, a cerca de 20 quilômetros do centro de Curitiba. Na entrada, todos eram obrigados a se identificar para seguranças particulares. Internamente, policiais militares garantiam a integridade física do presidente, postados dentro da sala onde acontecia a entrevista. "Fico envergonhado", lamentou Cirino. Mas disse que manterá a candidatura à reeleição. Os sócios devem ir às urnas em duas semanas. O objetivo é fazer com que o Coritiba retorne à Série A já no próximo ano. Para isso, ele anunciou que, caso vença, manterá o técnico Ney Franco. Segundo Cirino, a queda aconteceu nas últimas rodadas, quando "o time parou de produzir, enquanto outros clubes que estavam abaixo se recuperaram". O presidente afirmou estar consciente das dificuldades e, para isso, pretende cortar custos e investir em categorias de base. Mas, primeiramente, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) visando reverter a decisão de interdição do estádio. "Vamos mostrar que não tem problemas de infraestrutura", disse. "Sei que é difícil, mas vamos tentar minimizar a punição". Ele garantiu que o clube está contribuindo com a polícia para identificação dos responsáveis. Em nota, o clube afirmou que, pelas imagens, "já é possível identificar integrantes e certos dirigentes daquela torcida (Império Alviverde) como autores e principais responsáveis pela agressão e destruição generalizada" O presidente da torcida organizada, Luiz Fernando Corrêa, disse que a selvageria poderia ser maior, se ele não tivesse conseguido dissuadir um grupo de cerca de 400 pessoas que queriam entrar à força no estádio durante o intervalo. "Elas também invadiriam o campo e a tragédia seria maior", afirmou. Ele disse ter saído aos 40 minutos e não presenciou a invasão. "Havia 35 mil pessoas no estádio, das quais 10 mil são da Império, mas apenas 200 invadiram o campo. Tem que punir essas pessoas". O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil do Paraná, prendeu nesta terça, em uma academia de musculação, Geison Lourenço Moreira de Lima, de 20 anos, acusado de atirar um banco contra policiais que estavam no campo. A batalha deixou pelo menos 18 feridos, dois deles ainda em estado grave.