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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 21h:22

VÔLEI FEMININO

Por ouro inédito, Brasil enfrenta os EUA

Finalmente, as meninas do Brasil vão disputar uma final e querem a vitória contra os EUA para conquistar a medalha de ouro

EDUARDO MALUF
Da Agência Estado – Pequim, China
As meninas do vôlei acompanharam ontem o desempenho de Maurren Maggi no salto em distância e se emocionaram. A história da saltadora se assemelha, de certa forma, com a das jogadoras. Maurren superou o problema do doping para buscar a medalha de ouro, e a seleção tenta driblar a desconfiança e acabar de vez com a fama de fracassada na hora das decisões. Não há momento melhor para mudar a história. O Brasil encara os Estados Unidos hoje, às 8 horas (de Mato Grosso), no Capital Gymnasium, em busca do ouro inédito na modalidade. Quatro anos depois da tão falada derrota para a Rússia na semifinal de Atenas, as brasileiras entram em quadra com amplo favoritismo e com a possibilidade de fechar a campanha sem nenhum set perdido. As norte-americanas chegam à final com o moral elevado por causa da surpreendente vitória sobre Cuba por 3 a 0, na quinta-feira. "É o jogo de nossas vidas", comentou Paula Pequeno. Ela tem razão. Pela primeira vez em Olimpíadas, a seleção feminina tem a chance de brigar pelo ouro. Até hoje foram duas medalhas de bronze, conquistados em Atlanta/1996 e Sydney/2000. "Chegamos até aqui e agora queremos o título", afirmou a meio-de-rede Walewska. O ginásio estará cheio para a final e o Brasil deverá contar com o apoio da maioria dos torcedores, ao contrário do que ocorreu na semifinal, quando enfrentou a anfitriã China. Bom para um time que entra pressionado pelo favoritismo e por ter sido derrotado em momentos importantes, como na final do Pan do Rio, no ano passado. "Estamos com a cabeça boa", garantiu Fabi. "Apesar das derrotas marcantes, essa seleção foi a que mais venceu", completou a líbero, referindo-se a títulos como o do Grand Prix. O técnico José Roberto Guimarães admite estar ansioso para o início da partida. Sabe que só o ouro vai pôr fim aos comentários de que suas jogadoras falham em finais. E espera muito por essa hora. "De nada adianta tudo o que fizemos até agora, se não vencermos", comentou o treinador. União e bom humor - Qual o segredo de um time quase imbatível, que disputa sete jogos e vence todos sem ceder nenhum set para o adversário? "Muito trabalho" é o discurso pronto das meninas. Mas, além da força tática do time e do talento das atletas, há uma questão fundamental: a união do grupo. Poucas vezes o elenco de uma seleção teve relacionamento tão bom como o do vôlei feminino do Brasil. As jogadoras brincam o tempo todo, se abraçam a cada ponto e não reclamam quando a colega erra. Só assim podem suportar uma rotina pesada de treinos e a distância da família sem cair de rendimento. Algo que não se vê tanto na seleção masculina. "Estamos muito concentradas. Nossa rotina é treinar e treinar, não temos nenhum tempo para diversão", contou a líbero Fabi. Mas é preciso de um pouco de descontração. As encarregadas de animar o ambiente são a própria Fabi e Paula Pequeno. "A Paula é palhaça, ela faz imitações, conta piadas, mexe com todo mundo", revelou a levantadora Fofão. "Ela faz bem para o grupo." A principal missão de Zé Roberto depois da derrota em Atenas/2004 foi justamente recuperar o astral e a confiança do elenco. "Caso contrário, não conseguiria montar uma equipe tão forte", afirmou. O último passo para a glória será dado neste sábado. E, depois, se tudo correr conforme o planejado, vai ser hora de muita festa.

Edição EDIÇÃO 16967




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