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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010, 19h:40

PALMEIRAS

Paulo Nobre descarta "bom e barato"

Advogado é candidato à presidência do clube paulista e avisa que se for eleito vai investir na contratação de grandes estrelas para o time

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI
Da Agência Estado - São Paulo, SP
Terça-feira, dia 21 de dezembro, na região do Itaim, em São Paulo. Restaurante especializado em massas, é evidente. À mesa, um dos candidatos a presidente do Palmeiras, sua assessora e o repórter da Agência Estado. Paulo Nobre, 42 anos, empresário, advogado, piloto de rali, conselheiro e palmeirense fanático é o candidato. Devora uma bruschetta com apetite invejável. Por duas horas e meia, com um entusiasmo de menino e olhos brilhando de otimismo, ele revelou seus planos para o clube que aprendeu a amar desde os tempos que frequentava as arquibancadas. Nobre não é descendente de italianos, mas pelos gestos ao falar já incorporou a Itália na sua alma. Seu projeto é ambicioso, sempre acompanhado de uma ressalva: "Não sou mágico. Não vou transformar o Palmeiras em um Real Madrid nos próximos dois anos". A seguir itens da sua plataforma de governo. Confira por tópicos os principais trechos da entrevista: GESTÃO - "A primeira coisa a fazer é separar o futebol do social. Um não pode interferir no outro. Cada um tem de ter o seu diretor financeiro profissional para cuidar da sua área. E cada um também tem de ter um diretor para fiscalizar e cobrar resultados do diretor profissional. Recursos e receitas do futebol não podem cobrir despesas do social, e o caminho inverso também não pode ocorrer. Cada um tem de andar com suas próprias pernas." TIME - "Não sou partidário do bom e barato. O barato hoje pode custar caro amanhã. Se você joga fora R$ 10 hoje, achando que é pouco, esses R$ 10 vão fazer falta mais tarde. Sou partidário de um time eficiente, de jogadores que tenham orgulho de jogar pelo Palmeiras, que se identificam com o clube, jogadores que ao final do jogo, perdendo ou ganhando, a torcida tenha orgulho deles. Temos de formar um time para ganhar. O Palmeiras não pode deixar de ser protagonista, nem se contentar em ficar em posição intermediária ao fim do campeonato. Tem de ser vencedor, como manda a tradição." FELIPÃO - "Conheço o Luiz (Felipe Scolari) desde a primeira passagem dele pelo clube. Temos empatia. Eu ia muito a Portugal quando ele estava lá. Portugal é rota de rali. A gente se encontrava. Sempre falávamos do Palmeiras. Não posso dizer que sou seu amigo, mas temos afinidades sobre o futebol. Ele é um técnico eclético. Sabe trabalhar com todos os tipos de atletas. Se é para apostar em um time só com a base, ele aceita. Desde que a torcida seja informada da filosofia. Se é para montar um time de craques ele também vai bem. Já deu provas disso na Seleção. Se é para fazer uma equipe de operários, como era o Grêmio, também faz. É o técnico que sabe trabalhar com todas essas diversidades e dá resultado. Temos sinergia grande no que eu penso do futebol" INVESTIMENTO - "Não é porque sou um empresário bem sucedido que vou colocar dinheiro no clube. Já fiz isso uma vez, mas não faço mais. Sou contrário a essa situação de o clube ser dependente do mandatário. O clube não pode ser refém do dinheiro do dirigente" BASE - "As categorias de base não são a solução de todos os problemas. Temos de construir a Academia de São Roque (centro de treinamentos e alojamentos) para abrigar os meninos que vão fazer teste no Palmeiras. A base não deve ser apenas para revelar jogadores para o profissional, mas deve servir para dar receitas ao clube. Se você vender dois a três jogadores da base por 300 mil (R$ 720 mil) a 500 (R$ 1,2 milhão) mil já é um ganho para o clube." TORCEDOR - "Você pergunta a qualquer conselheiro quantos torcedores o Palmeiras tem e a resposta está pronta: 15 milhões. De onde vem esse número? Eu quero saber qual é o perfil desse torcedor, que regiões do País eles estão, quantos são os homens e as mulheres, as classes sociais... Esses torcedores são uma fonte de receita, uma pedra preciosa que precisa ser lapidada. São consumidores de tudo que envolve o Palmeiras e não são tratados com o devido respeito. Eu pretendo atrair esse contingente, dar eles o status de sócio-torcedor. Eles pagariam mensalidade de sócio-torcedor e teriam direito a voto nas eleições." PALAIA - "Ele tem todo o direito de ser candidato e respeito a sua candidatura. O Palaia pode ser o fiel da balança na eleição. Estou em campanha há três semanas e não acho que a oposição já esteja eleita. Ela não tem tudo isso de voto que pensa ter. Situação e oposição inflam os números, cada um puxando para o seu lado." DÍVIDA - "Acho que é perfeitamente administrável. A dívida gira em torno de R$ 100 milhões e a atual administração acertou em alongá-la. Sempre é bom você ter prazo para quitar. Pagamos juros de 22,5% e tenho certeza que posso reduzir esses juros pela metade. Os bancos, quando emprestam aos clubes, ficam desconfiados, mas também não querem executar os clubes com medo de desagradar milhões de torcedores." RECEITAS - "Dá para administrar com as receitas que temos. Elas não estão comprometidas. Apenas foram dadas como garantias para alongar a dívida. O dinheiro não foi usado. Quanto aos salários, o que é combinado com o jogador tem de ser cumprido." CONTRATAÇÕES - "Quem vai indicar, pedir, é o treinador. No nosso caso, temos um dos melhores treinadores do País. Vamos conversar com ele para ver quais atletas ele quer."

Edição EDIÇÃO 16963




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