ESPORTES
Sábado, 05 de Junho de 2010, 13h:08
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Na Copa de 1970, foi um marco
ROBERTO BASCCHERA
Da Agência Estado São Paulo
Com jogos contra Zimbábue e Tanzânia e um time praticamente pronto, a preparação da seleção brasileira de Dunga para a Copa do Mundo tem sido bem mais tranquila que a da seleção tricampeã mundial. Do gol de Pelé contra o Paraguai nas eliminatórias, em setembro de 1969 - resultado que classificou o Brasil - à estreia no Mundial, em junho de 1970, contra a Checoslováquia, o caminho foi longo e penoso. O técnico João Saldanha caiu. O presidente da CBD, João Havelange, o substituiu por Zagallo dois meses e meio antes do início do Mundial. O time-base, que contra o Paraguai teve Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu, ainda passaria por muitos testes antes de se firmar com Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé. O time embarcou para o México cercado de ceticismo. Piazza reclamava abertamente de ter perdido a condição de titular do meio de campo e dizia faltar diálogo com Zagallo, registrou o Estado de S. Paulo. "No País inteiro, poucos acreditam na vitória", informava a seção de Esportes do jornal. "Sem a incerteza de 1958, a confiança de 1962 e as dúvidas de 1966, os torcedores brasileiros esperam mais uma Copa com o estado de espírito que chega a lembrar o que havia em 1954: um pessimismo quase geral", dizia o texto. "O público, a gente de futebol e a imprensa do Brasil que acompanharam nestes últimos 79 dias a preparação da seleção que viaja ao México permanece com pouca esperança". Zagallo avisou: só divulgaria os nomes dos titulares em 2 de junho, véspera da estreia. A concentração foi fechada aos jornalistas. Com os treinos e amistosos no México, porém, o clima de pessimismo foi mudando. O técnico, empolgado, dizia já ver o Brasil campeão. Nem mesmo uma contusão de Gérson nos treinos, a distensão muscular do lateral Marco Antônio ou a previsão de um computador mexicano de que o Brasil seria eliminado pela Alemanha abalaram a confiança do time. "O computador leu a sorte do Brasil: perdemos", informava o Estado. O computador errou feio.