ESPORTES
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008, 21h:41
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VÔLEI FEMININO
Meninas jogam por uma semifinal inédita
Favoritas, as jogadoras brasileiras enfrentam as chinesas sabendo que será preciso ter os nervos no lugar para conquistar a vitória
EDUARDO MALUF
Da Agência Estado Pequim, China
Mari, Paula Pequeno, Walewska, Sheilla, Fofão, Fabiana, Fabi, Carol Albuquerque, Sassá, Jaqueline, Thaísa e Valeskinha. Essas 12 garotas podem se tornar hoje as primeiras jogadoras a levar a seleção brasileira feminina de vôlei a uma final olímpica. Para conseguir essa marca histórica, é preciso repetir o time masculino, que arrasou os anfitriões ontem, e vencer a China, a partir das 8 horas (de Mato Grosso). O Capital Gymnasium estará novamente lotado e a torcida, é claro, será contrária. Mas, pela campanha e pelo nível de jogo apresentado até agora, a seleção visitante carrega amplo favoritismo e só perde a vaga caso tenha um dia excepcionalmente infeliz. "Chegamos à semifinal em ótima forma e agora queremos o ouro", afirmou Scheilla. Na história dos Jogos, o vôlei feminino do Brasil tem duas medalhas, ambas de bronze, em Atlanta/1996 e em Sydney/2000. Antes dos anos 90, os resultados eram pra lá de inexpressivos. Em Barcelona/92 e Atenas/2004, o time também foi às semifinais, mas perdeu e depois ficou também sem o bronze. É a quinta semifinal seguida, e as meninas querem mudar a história. A equipe está acertada taticamente, as atletas mostram grande condição técnica e o ambiente não poderia ser melhor. Nem mesmo o mais exigente crítico tem dificuldade para encontrar pontos negativos nesse grupo. A única questão levantada - aliás, desde o início da Olimpíada - é como as meninas vão se portar na hora da decisão. O lado psicológico não pode afetar? É quase lei ouvir essa pergunta de algum jornalista brasileiro às jogadoras ou ao técnico José Roberto Guimarães após as partidas. E ela tem fundamento. Em Atenas e no Pan do Rio, em 2007, o time sofreu derrotas surpreendentes na semifinal e na final, respectivamente, depois de campanha impecável nas fases anteriores. Será que agora a história vai mudar? Psicóloga da seleção desde maio, Sâmia Hallage diz não ter dúvidas de que "o grupo está bem emocionalmente" e que "nenhuma atleta se sente como 'amarelona' (fraca, abalada)" por causa dos tropeços recentes em competições importantes. O discurso das jogadoras, aliás, é justamente esse. "Não lembramos mais de Atenas", garantiu Mari. E, dentro de quadra, é o que elas vêm mostrando. No primeiro jogo eliminatório, terça, contra o Japão, as brasileiras não deram a mínima chance para as adversárias e venceram por fáceis 3 sets a 0, sem levar nenhum susto. Hoje, apesar do favoritismo, a seleção de Zé Roberto deve encontrar um pouco mais de dificuldade. As chinesas venceram quatro vezes e perderam duas, para Estados Unidos e Cuba, em jogos apertados e decididos no quinto set. "Se quisermos ficar com o ouro, não podemos ter medo da China", declarou o treinador.