ESPORTES
Quinta-feira, 06 de Janeiro de 2011, 21h:13
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ANTIDOPING
Maria Zeferina Baldaia cai e é suspensa
Essa automedicação poderá custar caro à sua carreira, já que ela sonha em disputar os Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, neste ano
BRÁS HENRIQUE
Da Agência Estado - Ribeirão Preto
Campeã da edição de 2001 da tradicional Corrida de São Silvestre, Maria Zeferina Baldaia foi flagrada em exame antidoping com a substância proibida Acetazolamida, em amostra coletada no dia 28 de novembro de 2010, em Brasília, após a disputa da etapa da capital federal do Circuito de Corridas da Caixa. Ela espera que a punição seja a mais branda possível. "Foi uma fatalidade, não proposital", disse ela ontem, um dia após o início de sua suspensão provisória pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). A substância proibida foi ingerida no medicamento Diamox, usado pela mãe após uma cirurgia de catarata, depois que ela ouviu o médico dizer que o remédio diminuía edema e inchaço. Zeferina tinha caído, dias antes, num treino em meio aos canaviais de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, e contundido o seu joelho esquerdo. "Ouvi isso e pedi para minha mãe, e tomei na quinta, na sexta e no sábado, e corri no domingo em Brasília", revela Zeferina. Correu, sem inchaço, mas as dores continuaram. Essa automedicação poderá custar caro à sua carreira, já que ela sonha em disputar os Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, neste ano, e precisa, para isso, conseguir o índice em provas realizadas nos próximos meses. Outra meta seria a Olimpíada de Londres, em 2012. Zeferina foi comunicada pela CBAt sobre o resultado do exame em 16 de dezembro e ficou agoniada. Não se lembrava da ingestão do remédio. No dia seguinte, em contato com um representante da CBAt, que informou que a substância é encontrada no Diamox, ela se recordou do medicamento da mãe. E abriu mão da contraprova (amostra B). A entidade recomendou a ela, então, que não disputasse a Corrida de São Silvestre. Em 28 de dezembro, ela disse à reportagem da Agência Estado que não deveria participar devido às dores no joelho, que ainda a incomodam. CABEÇA ERGUIDA "Estou de cabeça erguida e quero provar que não foi nada proposital", afirmou Zeferina. "Tomei inocentemente, nunca imaginei que fosse um diurético", emendou, contando com o apoio de amigos e familiares, sem querer imaginar que sua imagem de atleta sofra ranhuras ela também é vereadora em Sertãozinho. A atleta sabe que sofrerá uma punição, e a pena máxima é de dois anos. "Não estou fugindo da punição, ela tem que ser aplicada, pois o meu esporte é sério, mas vou argumentar que foi uma fatalidade, nada proposital. Quero provar a minha inocência", comentou. "A esperança é a última que morre e tenho que ter fé e acreditar." A contar de quarta-feira, Zeferina tem 14 dias para solicitar seu julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), da entidade, conforme as regras da associação internacional da modalidade (a IAAF). O advogado dela, Eduardo Amorim, que está nos Estados Unidos, disse nesta quinta que espera marcar logo o julgamento e atenuar ao máximo a punição que a atleta sofrerá. "Vamos procurar mostrar que não houve intenção de burlar a lei, que foi uma má condução de um medicamento inapropriado e que não houve ganho de performance ou melhoria para ela", disse Amorim. Ele não quis fazer qualquer previsão de uma pena mínima para Zeferina. "Seria irresponsabilidade de minha parte diante do tribunal falar sobre isso."