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Terça-feira, 26 de Junho de 2012, 20h:47

SÃO PAULO

Leão é demitido em trinta segundos

Trinta segundos. Foi o tempo que o presidente Juvenal Juvêncio levou para avisar que o treinador não fazia mais parte do clube paulista

Emerson Leão chegou de manhã para trabalhar no CT da Barra Funda. Com cinco minutos em campo, um funcionário o avisou que Juvenal Juvêncio o chamava em sua sala. A conversa foi curta: o técnico, que tinha contrato até o fim do ano sem multa rescisória, não trabalha mais no São Paulo. E coube ao próprio treinador anunciar a decisão em entrevista coletiva. “Não tivemos um minuto de conversa. Acho que foram 30 segundos”, disse Leão, extremamente tranquilo durante os 18 minutos em que conversou com a imprensa. O ex-goleiro relatou com detalhes o bate-papo que pôs fim à sua segunda passagem no clube após 44 jogos, 26 vitórias, seis empates e 12 derrotas. “Um funcionário disse que o Juvenal me chamava para a sala dele. Ele me disse: ‘vamos encerrar o contrato’. Respondi: ‘muito obrigado, não adianta dialogarmos mais. Sou um técnico experiente e culto e o senhor também é um dirigente experiente e culto. Só preciso falar da parte burocrática, e isso não é com um presidente. Até logo’”, contou. A demissão ocorre após seguidas divergências com a diretoria acentuadas há dois meses, desde o afastamento de Paulo Miranda e que culminou com o silêncio de dirigentes desde a derrota de sábado para a Portuguesa, na partida seguinte à eliminação na Copa do Brasil. Sair do clube não surpreendeu Leão. “Não foi surpresa porque os últimos técnicos que trabalharam aqui saíram antes. Estou completando oito meses. Para quem entrou para dois, é uma performance relativamente boa. Não existe nada que impeça o que está acontecendo agora”, disse o treinador, bastante calmo. A tranquilidade do técnico ficou clara em seu último ato no CT da Barra Funda: cortar o cabelo. “Estou saindo bem, sereno, consciente da realidade que estive em oito meses. Não estou muito preocupado nem decepcionado. O futebol permite isso. Agora espero que dê certo com outra comissão de frente”, falou o, agora, ex-técnico do São Paulo. Incompetência - Pouco depois de demitir Emerson Leão, o quinto técnico a passar pelo São Paulo nos últimos três anos, Juvenal Juvêncio apareceu com uma comitiva para dar entrevista coletiva no CT da Barra Funda. Tinha em mãos um papel com o número de atletas contratados e promovidos das categorias de base para 2012 e outro com os nomes de quem saiu. Usou os dados como prova de que o técnico não soube trabalhar com quem tinha à disposição. “Quando tiramos o Adilson (Batista), dizíamos que o problema do São Paulo não era o técnico, era o plantel. Agora, nós temos uma equipe competitiva, aquela equipe saiu. Mudou-se o plantel. Então se restabeleceu uma ordem. Agora, o problema era o técnico”, justificou. A declaração é um argumento para o que pode ser considerada uma contradição. Em 24 de outubro, ao contratar Leão, o terceiro treinador diferente no ano passado, Juvenal avisou que, se não tivesse sucesso, mudaria o elenco. Ficou até sem vaga na Libertadores e, por isso, fez uma reformulação – executada, porém, sem a participação do técnico, impedido de opinar em dispensas e contratações. “O Barcelona ou o Real Madrid, na temporada deles que se inicia agora em agosto, vão contratar um, no máximo dois atletas. Talvez o Chelsea contrate três pelas condições especiais do seu presidente. O São Paulo, para a temporada de 2012, contratou ou promoveu de sua base 23 atletas. E mandou embora, no mesmo período, 17 atletas”, relatou o presidente. O mandatário não estava gostando do que via em campo nas últimas partidas. “O São Paulo está dentro do campo desarrumado, torto, não se ajeita. Não há conexão, não está bem. Você não olha lá de cima um time bem distribuído. Eu até poderia avançar nas críticas, mas não vou fazê-las”, conteve-se. A insatisfação era tão grande que o dirigente abriu mão de sua política de demitir um técnico só quando há um substituto encaminhado. Juvenal está convicto de que Leão não poderia continuar. “O técnico foi razoável. O tempo do Leão se esgotou, estava na hora de ele ir embora. Em um prazo curto, tenho que encontrar um técnico um pouco melhor que razoável”, afirmou.

Edição EDIÇÃO 16963




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