ESPORTES
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013, 20h:33
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CORINTHIANS
Jogadores lamentam morte de torcedor
O desembarque da delegação paulista foi em clima de lamentação com a morte de torcedores boliviano provocada por um sinalizador
As últimas passagens do Corinthians por aeroportos foram bem mais festivas do que a observada ontem, em Cumbica. Torcedores e jogadores voltaram em um clima obviamente pesado da Bolívia, onde morreu o torcedor Kevin Beltrán Espada, de 14 anos, atingido por um sinalizador durante o empate de San Jose com o Timão. Até as tietes dos atletas foram mais tímidas diante da situação. Nem o atacante Alexandre Pato arrancou os tradicionais gritos femininos, emudecidos pelo semblante fechado de todos, algo que ficou mais claro no técnico Tite, o que não chegou a causar surpresa. É difícil até falar porque qualquer tipo de palavra não vai trazer a vida do menino de volta. Foi lamentável, uma tragédia. Nosso resultado foi até bom, mas como você vai pensar no resultado com uma tragédia dessas. Não tem nem palavras, é lamentar mesmo. A família precisa de apoio e força, afirmou o volante Paulinho. De acordo com os atletas, a notícia da morte só chegou após a partida. Renato Augusto, por exemplo, julgou que os objetos atirados pelos torcedores do San Jose nos jogadores do Corinthians que faziam seu aquecimento fossem apenas uma hostilidade normal de Copa Libertadores. Não estava entendendo bem por quê. Achei que só estavam torcendo contra a gente, a favor do time deles. A gente ficou sabendo só depois, no vestiário. E é claro que foi muito triste, esse jogo vai ficar marcado na história de cada um. A gente chorou pela criança, disse o meia. Já os dirigentes mantiveram a linha adotada na própria Bolívia, na última quarta. O diretor adjunto de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, e o gerente de futebol, Edu Gaspar, lamentaram o ocorrido e se colocaram à disposição da família do garoto. Segundo Edu, nenhum dirigente do San Jose procurou os cartolas do Corintbians ao término da partida. A delegação alvinegra permaneceu em Oruro algumas horas após o jogo e partiu para São Paulo em um voo no qual as dificuldades para se atuar em uma altitude superior a 3.700 metros não foram discutidas. A gente conversou bastante sobre o que aconteceu para esclarecer alguns fatos e tentar ajudar a família da melhor maneira possível. Primeiro, você toma aquele susto. Meu filho está toda hora no jogo, o filho do Duílio também. É complicado, resumiu o gerente. Tragédia acidental O presidente do Corinthians, Mário Gobbi defendeu que a morte do torcedor boliviano Kevin Beltrán Espada, vítima de um sinalizador aos 14 anos, foi acidental. Ou você tem uma prova de que fulano de tal usou os fogos de artifício com a intenção de atingir uma pessoa ou é uma fatalidade. Estou acompanhando pela internet, por jornais e por vídeos e me parece ter sido um acidente, algo involuntário, disse. Não posso crer que alguém vá a um jogo de futebol para matar outra pessoa. Se eu acreditasse 1% nisso, teria que sair do esporte, acrescentou. Gobbi ainda argumentou que o ambiente entre as torcidas de San José e Corinthians durante a partida, válida pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América, não justificava um ato hostil. Não havia clima para isso. Todos estavam vendo o jogo com tranquilidade. Não ocorreu um atrito entre torcedores que gerasse o disparo. Cada um deles estava no seu lugar, comemorando, torcendo. Foi uma fatalidade. Se estivesse acontecendo alguma briga, a gente até poderia cogitar que alguém tenha agido com dolo, declarou. Após o incidente, o comportamento da torcida do San José mudou. O público boliviano passou a chamar os brasileiros de assassinos e a arremessar objetos e desferir insultos contra dirigentes e jogadores reservas do Corinthians. Doze torcedores brasileiros acabaram detidos pela polícia local. Ainda assim, Gobbi citou a sua experiência como delegado para embasar a tese de que o disparo foi acidental. Pelo que aprendi na minha carreira, tudo indica que se trata de uma fatalidade. Mas vamos aguardar as investigações. As autoridades bolivianas estão aptas e conhecem os fatos. Devemos deixá-las trabalhar para que apurem por completo, comentou. O presidente do Corinthians não adotou apenas uma postura defensiva em seu pronunciamento. Bastante religioso, Mário Gobbi transpareceu abatimento e afirmou já ter rezado pela alma de Kevin Beltrán Espada.