ESPORTES
Quinta-feira, 24 de Junho de 2010, 21h:33
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CIDADE DIVIDIDA
Indaiatuba se divide entre o Brasil e Portugal por causa de Deco
Naturalizado português, o brasileiro Deco nem vai jogar hoje, machucado, mas sua torcida sonha com um empate nesta partida
VALÉRIA ZUKERAN
Da Agência Estado Indaiatuba, SP
Quando o árbitro apitar o início do jogo entre Brasil e Portugal, hoje, em Durban, muita gente estará com o coração dividido na cidade de Indaiatuba, distante 112 km de São Paulo. "Espero que seja 1 a 1. Assim Brasil e Portugal se classificam", disse Osias de Souza, pai do meia Deco, um dos principais jogadores da seleção portuguesa. "Infelizmente ele não vai jogar. Ligou há algumas horas e contou que não conseguiu se recuperar da contusão", lamentou Osias. Mas garante que o incidente com o técnico Carlos Queiroz já foi superado, o que dá esperança de participação em outros confrontos. "Foi uma divergência de opiniões sobre o esquema tático, mas está tudo resolvido". Em Indaiatuba não falta torcida para Deco. "Nossa família é grande. Do meu lado somos 12 irmãos e mais seis do lado da minha mulher. Quando junta todo mundo somos uns 80", disse Osias. Hoje, porém, a opção será por acompanhar a partida pela TV em um grupo menor. "Gente demais é complicado, mas também é chato torcer sozinho. Então deveremos nos reunir eu e meus filhos na hora do jogo". Um grupo bem maior, no entanto, deverá estar reunido em um no Instituto Deco20, mantido pelo jogador em sua cidade natal. Cerca de 150 crianças e jovens estarão reunidas, na manhã de hoje, no auditório para acompanhar o confronto. "Eu vou torcer por Portugal. Eles vão ganhar por 3 a 2", anunciou Jefferson Marcos, de 13 anos. A admiração do garoto por Deco é tão grande que, apesar de gostar das aulas de música, sonha mesmo é em se transformar em jogador de futebol, como seu ídolo. "O técnico deveria dar uma chance para ele (Deco) jogar", pediu. Heloísa Pinhotti, de 14 anos, diz estar dividida. "Vou torcer para o Brasil e para o Deco", afirmou. Para a menina, será um jogo festivo de qualquer forma. "Pelo menos se a seleção perder, eu fico contente pelo Deco", explicou. A Instituição é um gol de placa do meia do Chelsea fora dos campos. Um grupo de 300 crianças e jovens carentes é diariamente atendido no local, que oferece reforço escolar e atividades culturais e esportivas. O prédio é vizinho ao bairro onde o meia da seleção portuguesa cresceu, a Vila Mercedes. Deco mantém o local com a ajuda de empresários da região e atividades paralelas, como a escolinha de futebol, aluguel de quadras de futebol society. O dinheiro, no entanto, ainda não é suficiente para na manutenção da entidade, com custos mensais estimados em R$ 120 mil. Então, são realizadas ações beneficentes. No próximo dia 18, o jogador organizará um amistoso no estádio do Primavera, no qual pretende trazer personalidades. Os alunos da escolinha sonham um dia em se transformarem em sucessores de Deco. "Mas o professor já avisou que de uma escolinha inteira sairão um ou dois jogadores", disse, consciente, Lucas Ribeiro, de 13 anos. O menino torce por um empate que classifique Brasil e Portugal para a próxima fase. "Meu palpite é 2 a 2". Já Arthur de Moraes, João Pedro Lopes e Felipe Prudêncio, todos de 12 anos, mais Victor Matheus, de 11, e Leonardo Bernardinetti, de 9, acreditam em vitória da seleção de Dunga, mas sempre com alguns gols portugueses. "A gente torce para o Brasil, mas também pelo Deco", explicou Felipe. Consenso, apenas na esperança de todos de, um dia, alcançarem o mesmo sucesso do meia do Chelsea.