ESPORTES
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010, 19h:35
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CORINTHIANS
Fenômeno diz ter trunfo para trazer Parreira
A cabeça de Andrés Sanchez está fervendo. Após a inesperada derrota para o Vasco, no Rio, por 2 a 0, o telefone do dirigente não para de tocar com sugestões de nomes para técnico do clube. Muitos dizem que Fábio Carille, o interino, não terá forças para reerguer o time na reta final do Campeonato Brasileiro - não vence faz seis rodadas. O presidente, após assumir o ônus de definir sozinho o comandante, ainda estuda a possibilidade de aguardar por Carlos Alberto Parreira em 2011, mas teme até a perda de uma vaga na Libertadores. Contratar ou não contratar? É assim que ele está desde quarta-feira à noite. Andrés está tão perturbado que mostrou desconhecer o nome do atual comandante no Rio. "Qual a autonomia do Carille? Total?", ouviu o presidente. "Quem é Carille, eu não sei quem é Carille", disparou, até corrigir o erro e dizer "total". A resposta, óbvio, veio antes de mais uma surra. Ninguém contava com tropeço no Rio. Nas contas corintianas, os três pontos em São Januário estavam garantidos para, mais na frente, a equipe buscar a liderança no confronto direto com o Cruzeiro. Agora, tudo pode mudar caso Andrés, enfim, ceda às pressões, recoloque Carille na função de auxiliar e busque um novo técnico para a vaga aberta após a queda de Adilson Batista. O interino, contudo, ganhou um padrinho de peso para seguir à frente do Corinthians até o fim da temporada, o que deixa o presidente em situação difícil. O mandatário peitará seus aliados ou dará ouvidos a Ronaldo, estrela da equipe e responsável direto pelos ótimos patrocinadores? Ontem, após a terceira derrota seguida da equipe na Nacional, o Fenômeno resolveu dar a cara a tapa para abafar o incêndio que ronda o Parque São Jorge e, em entrevista tranquila e até engraçada, mostrar que o ambiente está bom, apesar de todos verem o contrário. E, de cara, apoio a Carille. "Eu vejo que o Fábio (Carille) nos conhece há muito tempo, sabe das nossas características, acompanhou o Mano (Menezes) e o Adilson (Batista). Saberá trabalhar com a gente. O momento não é de buscar treinador, nem culpados, temos de buscar soluções. Não temos mais tempo a perder ou errar." Ronaldo ainda endossou o pensamento de Andrés. "Fui perguntado sobre o Parreira e achei uma ideia incrível, mas ele está cansado, quer ficar com a família (até dezembro). Tenho um trunfo e vou tentar convencê-lo", disse o camisa 9. Qual? "Eu vou usar isso com ele. Se falar, ele vai abrir o jornal e ler o trunfo. Se eu tivesse dois, contava um", brincou. APOSTA DE RISCO - Alguns conselheiros do clube, com bom trânsito a Andrés, acham temeroso esperar e tomaram a liberdade de sair no mercado pesquisando a situação de alguns treinadores. Um dos nomes procurados foi o de Mário Sérgio, atualmente sem emprego e, como Parreira, descansando, só que em São Paulo. Praticamente revelado no Corinthians como técnico, Mário Sérgio fez um bom trabalho no clube em 1993, revelou Zé Elias, pediu a contratação de Marcelinho Carioca e, ano passado, assumiu o Internacional em momento parecido e conseguiu levar os gaúchos à Libertadores. Na verdade, por 60 minutos o Inter estava sendo campeão, até o Grêmio levar a virada do Flamengo, que ficou com a taça. No Sul, Mário Sérgio dirigiu o Internacional por apenas 11 jogos Somou seis vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Com 64% de aproveitamento, deixou o clube festejando um vice-campeonato após assumir o clube em situação delicada. Caso Andrés queira repetir a estratégia do Inter, a tarefa não é tão árdua, já que os empresários do treinador são os mesmos do zagueiro Chicão.