NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ESPORTES
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 21h:32

MUNDIAL II

Cuiabá recebe Fifa e CBF pela Copa

Maratona dos dirigentes que percorrem cidades para definir sedes dos jogos das seleções chega à Capital de Mato Grosso, no Pantanal

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Cenário mais pantaneiro, impossível. Afinal Cuiabá é uma das mais importantes cabeceiras do Pantanal. É nessa cidade que a comitiva da Fifa juntamente com o Comitê da CBF Organizador da Copa do Mundo de 2014 desembarca, hoje, para conhecer e avaliar a região que disputa uma das sedes do mundial com Campo Grande (MS), para receber aquela que se convencionou chamar de Copa do Pantanal. Em raras ocasiões Cuiabá se mobilizou tanto quanto agora, pela Copa. Ao longo de sua história o povo cuiabano se uniu em prece e se deixou embalar pelo civismo na segunda metade do século XIX, quando despachou seus filhos fardados para expulsar as tropas paraguaias invasoras da região de Campo Grande, que mais tarde seria Mato Grosso do Sul; nos anos 1940, quando seus pracinhas do 16º Batalhão de Caçadores foram à Itália derrotar o flagelo nazista; e quando da votação da emenda das Diretas, em 1985, de autoria de um de seus filhos mais ilustres, o estadista Dante de Oliveira. A Copa faz a classe política trocar o debate pelo monólogo. Leva o empresariado a sonhar com lucro. Apresenta reais expectativas de trabalho para a classe operária. Desperta Mato Grosso para o imensurável potencial do ecoturismo no Pantanal. E, melhor, força – no bom sentido da palavra – a canalização imediata de obras de infra-estrutura para Cuiabá, que em condições normais levariam muito tempo. Dirigentes da Fifa e CBF visitam uma região rica em história. Em 1719, o bandeirante paulista Pascoal Moreira Cabral navegou rio acima singrando águas pantaneiras até o local onde fundaria Cuiabá, em 8 de abril daquele ano. A vila virou cidade, que se tornou a única Capital no Pantanal, a grande planície inundável que se espalha por Mato Grosso e o vizinho Mato Grosso do Sul, e que cruza as fronteiras da Bolívia e Paraguai, onde se chama chaco. Não é por mera coincidência que a musicalidade cuiabana é pantaneira. Isso se deve ao fator geográfico e se aplica em oposto a Campo Grande, que se ancora no chamamé. Cuiabá é a alma do Pantanal, enquanto Campo Grande, isolada num chapadão, longe e sem vínculos históricos e culturais com o Pantanal, bebe a cultura da fronteira seca dos vizinhos paraguaios com suas polcas e guaranias. Com a realização da Copa em Cuiabá, o turista poderá optar entre maravilhosos roteiros num raio de 200 km no entorno da Capital para conhecer o Pantanal, antes, após e nos intervalos entre as partidas. Quem segue de carro Pantanal adentro, ao passar pela última casa de Cuiabá vê tuiuiús descomunais com suas plumagens branca, preta e vermelha. Vê ninhais, talhamares, garças brancas, sabiás, biguás, canários, curiós, araras, papagaios, maritacas, ariranhas, lontras, incontáveis jacarés pachorrentos em banhos de sol, capivaras, tamanduás, quatis, macacos, tatus, veados, onças e outras espécies de aves, animais e répteis, além de uma vegetação inigualável. No Pantanal, pacus, piranhas, pintados, jurupensen, dourados, caxaras, peraputangas e outros peixes fazem das águas cristalinas dos rios, baias e corixos, seu reino onde é possível se deparar com lufadas de lambaris e os vôos certeiros do martim-pescador. A Copa será boa oportunidade para Cuiabá mostrar ao mundo que o Pantanal não é uma floresta fechada, igual a Amazônica, onde o colonizador derruba, queima e antropiza. Nele o homem é o centro do universo, o boi pasta e o cavalo pantaneiro - única raça eqüina genuinamente brasileira - trota orgulhoso.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL