Crise política já ameaça emprego de Muricy Ramalho
DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado São Paulo
O Palmeiras começou ontem a planejar 2010 em meio a uma crise política. O próximo ano pode começar sem o técnico Muricy Ramalho e alguns dirigentes que tiveram papel atuante nesta temporada. Um grupo de conselheiros e diretores pediu ao presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, a demissão da cúpula do futebol: o vice-presidente Gilberto Cipullo, os diretores Genaro Marino e Savério Orlandi e o gerente Toninho Cecílio. O fracasso no Campeonato Brasileiro vai ocasionar mudanças - o Palmeiras esperava ser campeão, mas não conseguiu nem a vaga na Libertadores. Torcedores e conselheiros estão revoltados com a atuação da diretoria de futebol nesta reta final da temporada. Há divergências até mesmo entre os homens fortes do clube. "Acho que devíamos fazer parte das decisões", reclamou Clemente Pereira, que também é vice-presidente - são quatro no total. "Ele (Belluzzo) só ouve o Cipullo." Clemente Pereira aposta em mudanças na diretoria de futebol do clube. "A gente ouve isso nas alamedas do Palestra. Acho normal uma renovação no final do ano", confirmou o vice-presidente. O cartola, porém, defende a permanência do técnico. "O Muricy não escolheu o atual time e acho que deve dar continuidade até o fim do trabalho (tem contrato por mais um ano)." Os boatos ontem no clube eram de que Cipullo & cia. estavam fora. "Não sei de nada", estranhou Seraphim del Grande, um dos membros do Conselho de Orientação Fiscal e com voz ativa no Palestra Itália. "Só sei que hoje (terça-feira) o Belluzzo e o Cipullo iriam se reunir com o J. Hawilla (dono da parceira Traffic) para planejar a próxima temporada." Belluzzo negou ontem que Cipullo vá deixar o cargo. O vice-presidente de futebol é um dos que não se dão tão bem com Muricy. O próprio presidente também já reclamou da linha de trabalho do treinador, mas garante que não mudará o comando do time e que o deixará até o fim de seu contrato, em dezembro de 2010.