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Terça-feira, 12 de Julho de 2016, 19h:23
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RIO 2016
Crise no futebol olímpico se alastra
Brasil, Argentina, Portugal e Dinamarca têm problemas para formar seleções
A crise da falta de liberação de jogadores para a disputa dos Jogos Olímpicos continua desatada mundo a fora. Até aqui imune a grandes alterações de rota, a seleção brasileira sofreu esta semana o seu primeiro abalo. E em dose dupla. O Bayern de Munique, que aceitara ceder o atacante Douglas Costa, informou à CBF que o jogador não se recuperou de lesão e, assim, não poderá jogar o torneio. Para piorar, o volante Fred, considerado peça importante pelo técnico Rogério Micale, não será liberado pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, contrariando uma previsão da comissão técnica da seleção. A lista final tem que ser enviada à Fifa amanhã. A CBF ainda não anunciou oficialmente os cortes mas, internamente, não alimenta esperanças de contar com os jogadores. Tanto que já iniciou contatos para substituir os ausentes. Apesar da perda de Douglas Costa, Rogério Micale não pretende abrir mão do direito de ter três convocados com idade acima de 23 anos, conforme permite o regulamento. Como os relacionados para o torneio olímpico de futebol devem sair de uma lista prévia de 35 nomes elaborada pela entidade, a preferência agora recai sobre Renato Augusto. Já houve um contato com o jogador e com seu clube, o Beijing Guoan, da China. Na pré-lista, além dele, os outros jogadores acima da idade olímpica eram Thiago Silva e Casemiro. Nenhum dos dois, na visão da CBF, contariam com boa vontade de Paris Saint-Germain e Real Madrid, respectivamente, para obter a liberação. Com relação a Fred, o nome preferido é Wallace, do Grêmio. Taticamente, a ausência de Douglas Costa tem impacto no planejamento do técnico Rogério Micale. Ele gostaria de montar uma equipe com dois homens abertos, com características claras de pontas. Inicialmente, a ideia era ter Neymar de um lado, Douglas Costa de outro. Na atual lista de convocados, há jogadores acostumados a atuar pelo lado do ataque, caso de Gabriel, do Santos, ou até de Gabriel Jesus, do Palmeiras. Luan, do Grêmio, habitualmente escalado como falso 9 no clube gaúcho, também sabe atacar pelo lado. Mas nenhum deles tem a mesma característica de Douglas. OBSERVAÇÕES FRUSTRADAS Se o Brasil se preocupa em substituir dois jogadores, há problemas muito maiores para elaborar a lista de 18 convocados em outras seleções. As negativas de clubes para liberar atletas viraram uma rotina porque a Fifa apenas recomenda a cessão, mas não impõe uma norma. Na prática, o destino do torneio fica nas mãos dos clubes. Segunda-feira, a Argentina iniciou seus treinos com uma semana de atraso. O adiamento se deu, justamente, pela falta de jogadores, o que levou à renúncia do técnico Gerardo Martino. Mas o primeiro dia de trabalho teve apenas 11 jogadores, dos quais dois são goleiros. O técnico Julio Olarticoechea, ex-treinador da equipe feminina e da sub-20, escolhido por ser o único técnico sob contrato com a AFA, entidade que dirige o futebol no país, espera receber mais três atletas nesta semana. Para completar o grupo, ainda depende de novas negociações. O tempo é curto para cada país elaborar sua lista final. Na Colômbia, o presidente da federação local manifestou o seu desconforto com a situação às vésperas da Olimpíada do Rio. Há uma sistemática negativa dos clubes, especialmente os do exterior, que estão em pré-temporada. Isto nos causa uma grande preocupação, admitiu o dirigente. A CBF acompanha de perto a situação, além, é claro, de tentar resolver os problemas para fechar a sua própria lista. Isto porque o recém-formado departamento de análise de desempenho formulou dossiês sobre todos os times classificados. Neles, além de observações sobre a campanha de classificação de cada seleção para os Jogos Olímpicos, projetava os possíveis convocados. Com as negativas de clubes, que desfiguraram muitas listas, boa parte do trabalho foi perdido. A CBF já designou observadores para todos os jogos do torneio olímpico, já que precisará colher informações com a competição em andamento. Até na Europa há dificuldades. A Dinamarca, terceira rival do Brasil na primeira fase, só anunciou, até agora, sete jogadores. Enquanto isso, o técnico Rui Jorge, de Portugal, tenta fechar sua lista. O Benfica anunciou que não cederia jogadores, o que incluiu a negativa ao brasileiro Éderson, ao sueco Lindelof e a três jogadores pretendidos pela própria seleção portuguesa. O Porto também coloca empecilhos, mas o atacante sul-coreano Suk foi anunciado na lista final. Segundo a imprensa portuguesa, o jogador argumentou que a conquista de uma medalha reduziria o tempo de serviço militar obrigatório do jogador em seu país.