ESPORTES
Sábado, 19 de Junho de 2010, 15h:28
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Condição física de Kaká é uma incógnita
SÍLVIO BARSETTI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
O Brasil sempre dependeu do talento de seus jogadores para chegar ao topo do futebol mundial No jogo de estreia da Copa do Mundo, Robinho se sobressaiu no 2 a 1 sobre a Coreia do Norte. Hoje, contra a Costa do Marfim, a expectativa é de que Kaká mostre mais do que na última partida. Mas, pelo que o meia vem fazendo nos treinos, não se pode esperar uma grande atuação dele. Kaká está lento, não consegue dar suas tradicionais arrancadas, parece inseguro. Desde que começou as atividades com o grupo em Curitiba, em maio, ele despontou como uma incógnita para o Mundial. A suspeita sobre sua condição física aumentou ainda mais depois principalmente porque o preparador físico da seleção, Paulo Paixão, não deu nem sequer uma declaração sobre seu estado geral. O silêncio da comissão técnica s e a nítida dificuldade do atleta para se movimentar em campo, distribuir as jogadas e partir em direção ao gol deixam dúvidas quanto à sua utilidade no Mundial. Ele acusa mostra desconforto nas atividades abertas à imprensa - cada vez mais raras - e nas entrevistas coletivas. O Kaká descontraído e irreverente de outrora deu lugar a um jogador sério e contido. Em maio, a promessa dos auxiliares de Dunga era de que Kaká chegaria em ótimas condições para estrear no Mundial. Não foi o que se viu contra a Coreia do Norte. Ele perdeu bolas fáceis, fez lançamentos errados e, embora tenha se esforçado, não lembrou o Kaká de anos atrás. Na África do Sul, Kaká só se destacou até agora em painéis publicitários espalhados por Johannesburgo e outras cidades do País. Ainda assim, pela fama de ter sido eleito o melhor do mundo em 2007, quando atuava pelo Milan, foi o mais ovacionado pelo público no momento que sua imagem surgiu nos telões do estádio Ellis Park, minutos antes de o Brasil entrar em campo para enfrentar a Coreia do Norte. Em todas as entrevistas feitas em dupla por jogadores da seleção em Johannesburgo, uma pergunta é certa para quem estiver na mesa central do auditório do Golf Park Stadium: "Como está o Kaká?". Alguns se embaraçam na hora de responder, outros, como foi o caso de Júlio Baptista, na última sexta-feira, tentam ser enfáticos. "O período mais difícil dele já passou, ele está muito bem", declarou aquele, que, segundo Dunga, é o substituto natural do craque que veste a camisa 10 da seleção. Kaká sofre de uma pubalgia (inflamação do púbis) crônica e tem de tratar do problema sistematicamente. Ele pode voltar a jogar como em 2007, mas isso requer trabalhos específicos, incluindo sessões diárias de fisioterapia, e uma condição física favorável, da qual não dispõe agora, por causa de lesões musculares recentes que o deixaram fora de vários jogos do Real Madrid na temporada.