ESPORTES
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 21h:22
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BRONZE
Brasil vence e valoriza a medalha
ALMIR LEITE
Da Agência Estado Xangai, China
Quando o juiz austríaco Thomas Einwaller apitou o fim do confronto com a Bélgica, os jogadores da seleção brasileira fizeram a menção de sair logo do campo, como fazem em partidas corriqueiras. No mesmo momento o volante Lucas, que não jogou por estar suspenso, mas teve acesso ao banco de reservas, começou a abraçar todos que via pela frente. O técnico Dunga, o auxiliar Jorginho... Em seguida, entrou em campo para cumprimentar os companheiros. Foi quando "caiu a ficha" dos outros jogadores, que começaram a se abraçar pela vitória por 3 a 0 que garantiu ao Brasil o bronze na Olimpíada de Pequim. Não era, claro, a medalha que eles queriam, por isso a inconsciente frieza inicial. Mas, depois de um mês de trabalho e da saraivada de críticas recebidas após o fiasco contra a Argentina, os jogadores encontraram um motivo para pelo menos terminar com vitória a participação nos Jogos de Pequim. "Era uma questão de honra", definiu o meia Diego. "Foi uma honra fazer dois gols e ajudar a seleção a conquistar esse bronze", acrescentou o atacante Jô. A medalha foi garantida numa partida em que o Brasil foi bem no primeiro tempo, abriu o placar, atuou mal no segundo, levou alguns sustos e voltou a ser vaiado por conta da insistência em tocar bola no campo de defesa. Mas a vitória foi tranqüila: Diego abriu o caminho ao concluir cruzamento de Rafinha e Jô fez 2 a 0 ao aproveitar o rebote do goleiro num chute de Ramires, em lance que começou com Ronaldinho Gaúcho. Já no fim da partida, Jô, numa arrancada desde o meio-de-campo, marcou o terceiro. O esforço para valorizar o terceiro lugar foi coletivo. "O bronze também tem muito valor", repetia Ronaldinho Gaúcho. "Essa medalha vai ajudar o Brasil na classificação geral. É importante, sim", considerou o lateral-esquerdo Marcelo. "É a quarta vez que o Brasil ganha medalha o futebol masculino", ressaltou o técnico Dunga. O bronze de ontem se junta ao ganho em Atenas/1996 e às pratas de Los Angeles/1984 (que Dunga conquistou como jogador) e Seul/1988. Apesar do discurso a favor da importância do bronze, existe a expectativa para saber como estaria o ânimo deles na madrugada deste sábado, na cerimônia de premiação marcada para o Ninho do Pássaro, em Pequim, logo após a decisão entre Argentina e Nigéria. O Brasil vai estar no lugar mais baixo do pódio, posição que deve gerar algum desconforto, principalmente se os argentinos estiverem no lugar mais alto. É certo, contudo, que a medalha de bronze será o único prêmio que os jogadores levarão da China. Na semana passada, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, comunicou aos atletas que apenas a medalha de ouro valeria prêmio em dinheiro. Não falou em valores. Disse apenas que seria algo justo e compatível com o feito. O critério também serviu para a seleção feminina e o valor seria o mesmo dos homens. Ou seja, com a prata, as mulheres, que foram embora da China nesta sexta-feira, também ficarão de mãos vazias. BRASIL 3 Renan; Rafinha, Alex Silva, Breno (Thiago Silva) e Marcelo; Hernanes, Ramires, Anderson e Diego; Ronaldinho Gaúcho e Jô. Técnico - Dunga. BÉLGICA 0 Bailly; De Rovers, Vermaellen e Pocognoli; Vertonghen, De Mul, Haroun, Martens (Borre) e Simaeys; Mirallas (Mulemo) e Dembelle. Técnico - Jean-François de Sart. Gols - Diego, aos 27, e Jô, aos 45 minutos do primeiro tempo; Jô, aos 47 minutos do segundo tempo. Árbitro - Thomas Einwaller (AUT). Cartões amarelos - Ronaldinho Gaúcho, Jô, Marcelo e Thiago Silva. Renda - não divulgada. Público - 50.705 pagantes. Local - Estádio Olímpico de Xangai, na China.