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Quinta-feira, 07 de Agosto de 2008, 21h:37

VITÓIA SOFRIDA

Brasil supera calor e vence a Bélgica

ALMIR LEITE
Da Agência Estado – Shenyang, China
A estréia no torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos de Pequim, ontem contra a Bélgica, ensinou uma lição importante à jovem seleção brasileira. Medalha de ouro não se ganha apenas com espírito olímpico - é preciso superar obstáculos que vão muito além dos adversários em campo que, de certa maneira, podem ser até mesmo o menor dos problemas. Os belgas, por exemplo, revelaram-se um time sem brilho, fraco, batido por 1 a 0 sem grande esforço técnico e tático de um Brasil que não jogou bem. Há outras pedras no caminho. A seleção de Dunga teve contato com elas ontem e certamente voltará a ter domingo, na partida contra a Nova Zelândia. Um adversário duríssimo nessa Olimpíada é o calor. A partida contra os belgas começou sob temperatura de 34 graus Celsius em Shenyang e forte umidade. Desconforto agravado pela poluição - durante boa parte do jogo foi possível observar uma névoa no ar. Como o belíssimo Estádio Olímpico é fechado, a circulação do ar quase não existe. O local acabou por transformar-se num forno, ou numa sauna, como definiu o técnico Dunga. A inoperância do adversário certamente colaborou com a equipe de Dunga. Desentrosada, dando espaços no início, a seleção melhorou um pouco o rendimento na segunda etapa, quando a marcação foi adiantada e Anderson passou a atuar como um meia, auxiliando Diego na armação. A opção de explorar as jogadas pelo setor esquerdo, embora Ronaldinho Gaúcho estivesse bastante apagado, também mostrou-se acertada. Foi por ali que saiu o gol, num lance em que Diego e Hernanes lutaram muito pela bola e o são-paulino acertou um belo drible em Simaeys antes de chutar forte para o gol, aos 33 minutos. Mas ele também reclamou de um outro obstáculo enfrentado pela seleção ontem: o gramado ruim do estádio de Shenyang. A grama está alta, fofa e se soltando. "Parece grama sintética. A bola chega pulando. É impossível dominar de primeira e fazer o passe em seguida." Dunga foi mais incisivo. "Se tivesse um gramado em melhor condição, o Brasil ia jogar melhor, a Nova Zelândia, o futebol feminino... Todos ganhariam." Calor, poluição e gramado são apenas alguns obstáculos nesta Olimpíada, que quase certamente continuarão existentes. A previsão para domingo, por exemplo, indica outro dia quente e abafado em Shenyang. E não há indícios de que algo será feito no gramado do estádio. BRASIL – 1 Renan; Rafinha, Alex Silva., Breno e Marcelo; Hernanes, Lucas, Anderson (Thiago Neves) e Diego (Ramires); Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato (Jô). Técnico - Dunga. BÉLGICA – 0 Bailly; De Roover, Kompany, Vermaellen e Pocognoli; Fellaini, Vertonghen, Martens (De Smet), De Mul (Borre) e Dembelle; Mirallas (Simaeys). Técnico - Jean-François De Sart. Árbitro - Al Ghamdi Khalil. Gol - Hernanes, aos 33 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos - Mirallas, Anderson, Hernanes, Pocognoli, Alex Silva e Renan. Cartões vermelho - Kompany e Fellaini. Público - 39.661. Renda - Não divulgada. Local - Estádio Olímpico de Shenyang, na China.

Edição EDIÇÃO 16967




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