ESPORTES
Quarta-feira, 11 de Junho de 2014, 21h:58
A
A
POR MAIS UM MANDATO
Blatter propõe usar o replay no futebol
RAFAEL REIS
Da Folhapress São Paulo
O discurso de encerramento do congresso da Fifa, ontem, feito pelo presidente da entidade, Joseph Blatter, teve um momento já esperado e uma grande surpresa. O dirigente suíço, que dirige a entidade desde 1998, cumpriu o que se esperava e anunciou que será candidato a um quinto mandato na eleição de maio do próximo ano. "Minha missão não acabou. Juntos, vamos construir a nova Fifa. A decisão é de vocês. Posso dizer para vocês que estou pronto para continuar, mas é sua decisão", disse o cartola, que recebeu aval do conselho para participar do pleito depois do veto das propostas de limitação de idade e número de mandatos. Depois, veio a surpresa. De forma discreta, não como uma proposta, mas apenas levantando como um assunto a ser discutido, Blatter cogitou pela primeira vez, pelo menos em público, o uso de replays para solucionar lances polêmicos no futebol. O presidente não pretende liberar totalmente o uso de tecnologia, mas admite permitir o "desafio", recurso já utilizado no tênis e no futebol americano, em que as equipes podem utilizar por um número determinado de vezes as imagens de uma jogada. "Por que não damos para os técnicos a chance de desafiar duas vezes decisões dos árbitros? Eles podem pedir imagens da TV. É algo novo. Mas não devemos parar quando tivermos ideias para desenvolver. Devemos botar o controle do jogo em discussão." A Copa do Mundo, que começa hoje, será a primeira a permitir o uso de algum tipo de recurso tecnológico pelo árbitro para lances polêmicos. Um sistema irá avisar o árbitro quando a bola cruzar completamente a linha do gol para evitar que o juiz erre em jogadas polêmicas do tipo "a bola entrou ou não?". Derrota européia - Joseph Blatter recebeu aval do congresso da entidade para participar da eleição do próximo ano e tentar um quinto mandato na instituição. As duas propostas de limitação de idade e do número de mandatos para dirigentes do órgão foram reprovadas pelo grupo das 209 federações nacionais filiadas. Os números do pleito não foram disponibilizados, já que o sistema eletrônico para as votações falhou. Com isso, os representantes de cada país tiveram de levantar cartões verdes para dizer "sim" à ementa e cartões vermelhos para recusar a mudanças no estatutos. Em cada uma das duas votações, o número de eleitores apoiando as limitações não chegou a 40. Era preciso pelo menos 50% dos votos válidos para aprovar a reforma estatutária. A vitória da rejeição à imposição de bloqueios a candidatos foi comemorada com palmas pela maior parte dos integrantes do conselho. Parte dos representantes das associações da Europa se levantou e deixou o recinto após a votação. A reportagem não localizou nenhum dirigente de outro continente que tenha levantado o cartão verde. O projeto de limitação de idade e de número de mandatos era um pedido da Uefa. A entidade está em guerra com Blatter devido à decisão do suíço de concorrer pela quinta vez à presidência e às suspeitas de compra de voto pelo Qatar na eleição da sede da Copa do Mundo-2022. O presidente da Fifa está no cargo desde 1998 e já anunciou às confederações continentais que será candidato mais uma vez em 2015. Com a vitória do suíço no congresso, é possível que o francês Michel Platini, presidente da Uefa e maior nome da oposição ao mandatário, desista de participar da eleição. A votação pelo limite de idade e de mandatos foi o único momento que mexeu com a emoção dos membros da Fifa. Cinco presidentes de associações nacionais discursaram antes da votação. Todos se declararam contra a medida. "É uma proposta discriminatória, que subestima a capacidade, a moral e a liderança [dos mais velhos]. Ninguém troca um jogador, um técnico ou o presidente da Fifa vitorioso pelo limite de idade", disse o presidente da federação cubana, Luis Hernández.