ESPORTES
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 19h:39
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HORA DOS NOVATOS
Astros falham e coadjuvantes brilham
EDUARDO MALUF
Da Agência Estado Pequim, China
Muitos filmes são salvos por seus coadjuvantes, aqueles que não aparecem tanto, não são tão famosos, mas em diversas ocasiões dão a graça, o diferencial, e garantem o sucesso de bilheteria. Em Pequim, bem longe de Hollywood, a história brasileira na Olimpíada parece essa. Pelo menos na primeira semana de competições, os protagonistas andam apagados e os coadjuvantes brilham. Os atletas badalados pararam no meio do caminho, ou não atingiram as expectativas, e os menos conceituados foram longe na primeira metade dos Jogos. Se o Oscar tivesse de ir para alguém, certamente seria para Ketleyn Quadros, uma garota praticamente anônima até a semana passada. Quem não trabalha no meio e não acompanha o judô tão de perto dificilmente a conhecia. Nada de anormal. Ketleyn, uma brasiliense que vive em Belo Horizonte, de 20 anos, tinha presença mínima, quase nula, na mídia. Chegou à China sem grandes expectativas para sua primeira Olimpíada. Mas mostrou personalidade e não se encolheu diante das câmeras e dos críticos. Foi até o pódio para pegar o bronze e entrar na história como a primeira mulher brasileira a conquistar medalha numa disputa individual. "Não imaginava que pudesse chegar à China e, logo de cara, levar uma medalha para casa." Ketleyn ajudou a salvar a honra do judô em Pequim e a encobrir o tropeço de alguns colegas João Derly, que divide a condição de astro do elenco com Tiago Camilo, fracassou. Perdeu para o português Pedro Dias e não teve possibilidade de brigar nem pelo terceiro lugar. Ruim para quem é bicampeão mundial e favorito em sua categoria. "Fiquei procurando alguma coisa que tenha feito de errado, mas isso é esporte, nós entramos sem saber quem vai vencer", lamentou, conformado. Leandro Guilheiro, bronze em Atenas, vinha sofrendo com lesões recentemente, fez seu papel e repetiu o desempenho. Tiago Camilo, no entanto, poderia ter feito mais. Uma final era o que se esperava dele. Levou um importante bronze, é verdade, mas, para um vice-campeão olímpico em Sydney/2000 e bicampeão mundial, o ouro fazia parte do planejamento. Na natação, o principal nome dos Jogos Pan-Americanos, Thiago Pereira, não conseguiu o desempenho do colega César Cielo, também muito talentoso. Cielo, apesar de ter feito tempos ótimos nos 50 e nos 100 metros livre, desembarcou em Pequim com muito menos destaque. O fenômeno não se restringe aos esportes individuais. No vôlei, a seleção masculina, que era imbatível, iniciou a disputa de forma irregular - nesta quinta, por exemplo, perdeu para a Rússia - e a feminina, não tão temida, vem atropelando todas as adversárias que surgem pelo caminho. Faltam 10 dias para que os protagonistas do Brasil mudem essa história. Não faltarão oportunidades. Vêm aí Maurren Maggi, Fabiana Murer, Jadel Gregório, Diego Hypólito na final do solo, a forte equipe de Bernardinho nas fases decisivas do vôlei e Robert Scheidt na vela. A torcida está na expectativa.