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Editoriais
Sexta-feira, 05 de Setembro de 2008, 20h:06

Uma epidemia silenciosa

Um relatório foi entregue no final da última semana ao Ministério da Saúde pode é considerado uma das boas idéias para a redução da violência urbana. O estudo define as medidas preventivas que podem dar uma contribuição importante para a redução da violência em território brasileiro e, por isso mesmo, precisam ter um encaminhamento adequado pelo poder público. Só o custo imediato das ações violentas que produzem vítimas no país é estimado pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) em R$ 2 bilhões anuais, o que já seria suficiente para justificar a importância do trabalho. A estimativa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) é de que o custo total atinja nada menos de R$ 90 bilhões anuais, recursos que, pelo menos em parte, poderiam ser usados para melhorar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Resultado de oito meses de trabalho do projeto Violência: uma epidemia silenciosa, o documento denominado O desafio do enfrentamento da violência: situação atual, estratégias e propostas defende uma série de providências para reduzir os gastos decorrentes da violência no país. A ênfase está em ações na área de saúde mental, com o objetivo de atacar particularmente problemas como os provocados pela disseminação do uso do crack. Como adverte o presidente do Conass, Osmar Terra, nas ruas do Brasil existem milhares de envolvidos com a droga, que há uma década sequer constava de registros policiais. A questão das drogas, aliás, é um dos maiores desafios das autoridades brasileiras, que ainda não se aperceberam que o problema exige prioritariamente medidas preventivas. O relatório sugere também maior envolvimento dos Estados com ações da chamada cultura de paz, além de mais atenção a programas como o Primeira Infância. O objetivo é procurar enfrentar os problemas ainda no ambiente familiar. A bem da verdade, trata-se de um tema que deve receber a atenção em tempo integral não apenas de autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, como principalmente das chamadas organizações não governamentais e a sociedade civil, tão difícil se mostra a cada dia que passa. O fato de os efeitos da violência acabarem sobressaindo mais do que as causas, dificultando a adoção de medidas preventivas, desafia as autoridades de saúde a insistirem para que as recomendações não sejam esquecidas. Essa é uma área que exige ações imediatas, mas principalmente medidas de médio e longo prazos que procurem atacar a questão ainda na origem. “Só o custo imediato das ações violentas que produzem vítimas no país é estimado em R$ 2 bilhões anuais”

Edição EDIÇÃO 16963




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