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Editoriais
Quinta-feira, 06 de Março de 2008, 22h:19

Turismo sexual

Em 1998, o então Governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi saudado com certa euforia ao lançar uma ampla campanha contra o turismo sexual infantil. Obviamente, tratava-se de uma iniciativa de extrema importância, levando-se em conta que essa prática deplorável vinha se disseminando em vários pontos do país – em especial naqueles onde o turismo é um dos fatores de incremento da economia regional. Na época, FHC e sua equipe, como foi amplamente divulgado, estavam preocupados com o fato de que o ritmo acelerado da exploração sexual de crianças e adolescentes, quando nada, conspirava contra a imagem do Brasil em outras nações. Na ocasião, conforme lembram os registros da época, o Governo assinalou que a intenção da campanha também era a de impedir que o Brasil atingisse o estágio de outros países – como os do Sudeste Asiático –, onde a situação atinge a gravidade extrema. Com efeito, nesses países, por exemplo, meninas ainda no começo da puberdade se oferecem sexualmente a turistas, principalmente europeus, por um punhado de dólares. Uma década se passou e, pelo que se nota, o objetivo a que o Governo tucano se propôs não foi perseguido. A exploração de crianças e adolescentes tem sido registrada em índices cada vez mais alarmantes. E Mato Grosso, para não fugir à regra quando se trata de situações extremamente negativas para sua imagem, vem dar a sua contribuição. Reportagem deste Diário, publicada ontem, por exemplo, revela que, depois de dez meses de investigações, a Polícia Civil em Cáceres logrou desmantelar, esta semana, uma rede de prostituição infantil que atuava nessa cidade, em Mirassol D´Oeste e em Cuiabá. O resultado da ação é que oito pessoas foram presas e quatro menores, encaminhadas ao Conselho Tutelar. A operação "Rufião" constou de amplas investigações que incluíram interceptações telefônicas e fotos tiradas via satélite. A conclusão desse trabalho é a de que uma quadrilha agenciava meninas para se prostituírem, inclusive, fechando "pacotes" com clientes. Por sinal, numa das ligações telefônicas gravadas pela Polícia, uma agenciadora oferece uma menina de 12 anos a um cliente; noutra, um agenciador fecha um “pacote” de cinco meninas para clientes em um barco. Na verdade, há tempos, a Polícia Civil investiga o que se convencionou classificar de “turismo sexual” em Cáceres: menores atendem turistas nas embarcações conhecidas como "chalanas", cuja procura é bastante intensa em altas temporadas, como Carnaval e Festival Internacional de Pesca. Sem dúvida, uma desagradável união de diversão com crime. O combate à prostituição infantil é uma tarefa que deve ser cumprida pela Polícia não apenas por ocasião das “festas”, mas durante todo o ano. “O turismo sexual é uma realidade cada vez mais grave no Brasil”

Edição EDIÇÃO 16964




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