Editoriais
Terça-feira, 20 de Abril de 2010, 20h:27
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Tiradentes
Transcorridos 218 anos daquela execução em praça pública no Rio de Janeiro, o povo desta terra ainda não conseguiu moldar a nação sonhada pelo Protomártir da Independência, líder da Inconfidência Mineira, tropeiro, militar, minerador e dentista Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Não conseguiu moldar, porque não é independente o País que mantém tantos desníveis sociais quanto o Brasil. Não conseguiu moldar porque não é independente o País que não consegue conciliar desenvolvimento com razoabilidade ambiental e onde ainda ocorrem casos de trabalhos análogos ao período da escravatura. Não conseguiu moldar porque não é independente o País cuja pena máxima a magistrado que pratica crimes, independentemente de sua natureza, é a aposentadoria compulsória. Não conseguiu moldar porque não é independente o País que aplica aos miseráveis o rigor da lei e concede seus benefícios aos poderosos. Inexplicável que no Brasil que não tem vulcões, não sofre terremotos e maremotos, que não enfrenta ciclones, que não é castigado por nevascas nem é assolado por consideráveis áreas de desertos, haja bolsões de miséria, de pobreza absoluta rodeados por megaprodução agrícola e ao lado da cultura do palacianismo do poder. Os Inconfidentes personificados por Tiradentes sonharam com o Brasil independente, soberano, próspero e fraterno. Seus sonhos murcharam pela força da Coroa Portuguesa que os sufocou, dispersou e aplicou a pena capital ao líder da luta pela emancipação do povo brasileiro. Hoje, não há tacão e o Brasil respira a plenitude democrática, mas não conseguiu erradicar a arraigada prática da corrupção, do poder pelo poder e outras mazelas que se ocorressem quando da Inconfidência levariam Tiradentes e se insurgir contra elas. Que os ideais de Tiradentes inspirem o povo brasileiro, de onde surgem os políticos, para que o cidadão exerça na plenitude sua cidadania cobrando seus direitos e cumprindo seus deveres. Se a prática individual ganhar formato de bola de neve de moralidade pública em breve teremos a nação sonhada pelo Protomátir, porque nenhum erro resiste à força da verdade. Nesta data cívica em que o Brasil reverencia a memória de Tiradentes, que o povo brasileiro reflita sobre a necessidade de se promover profundas mudanças na estrutura institucional que inclui ainda áreas a exemplo do sindicalismo e cooperativismo. Somente a força popular é capaz de mudar um País com a dimensão continental do Brasil e formado por raças e credos que se completam, se respeitam e que vivem harmonicamente. É possível moldar a nação sonhada por Tiradentes, desde que o povo assuma tal responsabilidade, pois em caso contrário, no cotidiano, a população continuará subindo ao cadafalso nesta terra que somente não é grande porque seu povo não sabe a força que tem. "A força popular é capaz de mudar um País com a dimensão continental do Brasil"