Geográfica e culturalmente mais identificado com Goiás, o Vale do Araguaia sequer adota o fuso horário mato-grossense. Essa região rica, de solo fértil, com imenso manancial turístico, riquezas minerais, grandes reservas ambientais, várias terras indígenas e com razoável infraestrutura será o roteiro do governador Silval Barbosa, que a percorrerá amanhã, na sexta-feira e no sábado, pela BR-158 e algumas estradas alimentadoras dessa rodovia federal. Silval vai ao Araguaia para cumprir extensa agenda administrativa que inclui a inauguração do serviço de distribuição de água de Vila Rica na divisa com o Pará. O governador inspecionará e entregará obras em vários municípios, mas seu principal papel será o de bombeiro político, na tentativa de neutralizar segmentos que acendem a labareda da divisão territorial para a criação do Estado do Araguaia. Sempre houve descontentamento do Araguaia com o governo estadual. Dessa rusga surgiu a pecha de Vale dos Esquecidos para designar os municípios da região. O apelido foi criado por interessados na divisão territorial, como forma de justificar o movimento emancipatório. O momento da visita é oportuno, porque Silval chega às vésperas dos plebiscitos que acontecerão no Pará em dezembro para que o eleitorado paraense escolha entre a manutenção da unidade territorial ou a criação dos estados do Tapajós (tendo Santarém como Capital) e Carajás (tendo Marabá como Capital), ou até mesmo a emancipação de somente um deles. A visita de Silval, que chegará à região com um pacote de obras, projetos sociais e planos administrativos, certamente mostrará aos moradores do Araguaia que a realidade do lado de cá da fronteira de Vila Rica com Santana do Araguaia (PA) é outra, pois apesar das diferenças culturais naturais em regiões do mesmo Estado, o desenvolvimento do Araguaia está diretamente associado ao progresso de Mato Grosso, que é exemplo ao Brasil. Dentro e fora da esfera institucional em todas as esferas - há grande identidade e interesses comuns entre Cuiabá e o Araguaia. Com a pavimentação em fase adiantada da BR-158 e a consolidação de projetos rodoviários alternativos a distância física do Estado com a região praticamente deixa de existir. O Araguaia tem excelente oportunidade para costurar um grande volume de obras do governo estadual e para reivindicar investimentos federais por meio de emendas parlamentares. Os ventos divisionistas do lado paraense acendem a luz amarela em Cuiabá. Mesmo sem representação direta na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional a região tem que mostrar a Silval e aos parlamentares que o acompanharão que o modo mais eficiente para se apagar a labareda da divisão é acender a chama da integração com desenvolvimento. Mais que cumprir um roteiro desses tão comuns em Mato Grosso nos últimos anos, Silval terá que cicatrizar feridas e receitar na dosagem certa o medicamento da manutenção da unidade territorial. Os ventos divisionistas do lado paraense acendem a luz amarela em Cuiabá