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Editoriais
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 21h:19

Resgate da cultura

Em entrevista a jornalistas, durante a reinauguração do Cine Teatro Cuiabá, na noite de quinta-feira (21), o governador Blairo Maggi classificou o ato como “o Oscar da noite cuiabana”. Em verdade, não se pode negar que a ocasião se afigurou como propícia ao resgate de uma parte da história da capital mato-grossense. A “noite de gala” merece entrar para os anais da memória cultural do Estado. Palco dos grandes festivais de música e teatro da história do Estado, o Cine Teatro - construído em 1942 e sem atividades desde o final da década de 90 – é, de fato, um dos maiores patrimônios públicos dos cuiabanos. Ao longo dos anos, foi também uma das principais opções de lazer, por ter sido, durante muito tempo, o único a exibir as últimas novidades da indústria cinematográfica. Com o tempo, também, o local passou a ser visto como um centro cultural de enorme importância no cenário mato-grossense. Sua revitalização, como parte do Programa de Recuperação de Bens Tombados, um dos importantes projetos da atual gestão estadual na área cultura, provocou na sociedade uma expectativa muito grande. É oportuno recordar que, no início de 2007 – como este Diário reportou em matérias especiais -, o Governo, por meio da Secretaria de Cultura, tornou público um projeto de recuperação do Patrimônio Histórico, muitos dos quais se desgastaram pela ação do tempo e diante da omissão de gestões que não tiveram o menor interesse em desenvolver uma política cultural. O Legislativo, em conjunto com segmentos sociais, encampou a idéia, que, na prática, visava devolver aos cidadãos parte da trajetória do Estado, ampliando, de outro lado, os espaços de realizações artísticas e de lazer. A reinauguração do Cine Teatro, quando nada, é uma ótima oportunidade para o Governo retomar o projeto dos Bens Tombados, considerando sua grandiosidade, além da própria complexidade. Afinal, trata-se de um conjunto de projetos de obras, inventários, organização de acervos e formação da consciência de preservação. Nesse contexto, vale lembrar, já se tem como concretizadas importantes obras, como a recuperação e revitalização do Palácio da Instrução e das Igrejas do Bom Despacho e Nosso Senhor dos Passos, o Seminário da Conceição, a Academia Mato-grossense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico; o antigo Thesouro do Estado e a Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. O Diário reafirma – como já fez neste mesmo espaço – a necessidade extrema de o Governo incluir, nesse rol de obras, a recuperação de parte do Centro Histórico da Capital, cujos casarões centenários, abandonados e em ruínas, viraram pontos de prostituição e até de atividades criminosas. Diante dessa situação, parte do comércio fechou as portas e a circulação de pedestres em certos trechos, no período noturno, não é recomendável por questão de segurança. A revitalização do Cine Teatro é um marco no processo de resgate da memória cultural. Mas, não deveria seria o único ato que o Governo faz para Cuiabá e sua gente. “A revitalização do Cine Teatro é um marco no processo de resgate da memória cultural”

Edição EDIÇÃO 16966




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