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Editoriais
Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009, 08h:36

Queimadas, de novo

Entra ano e sai ano, o resultado é sempre o mesmo: o retrato fiel da degradação ambiental. Curiosamente, a sociedade organizada costuma assistir, passivamente, a esse estado de coisas: uma cidade e todo um Estado sob o risco da destruição, como uma triste herança para as próximas gerações. São as queimadas, que, nesta época do ano, atingem, em cheio, praticamente os quatro cantos de Mato Grosso. Ao longo dos últimos anos, esse desastre ambiental ocorre sempre com a mesma seqüência, sempre num período em que as autoridades ditas competentes se reúnem para definir e anunciar estratégias de combate ao inimigo. Infelizmente, o resultado, todos os anos, é sempre o mesmo: parte da flora destruída e a fauna, constantemente ameaçada. Ontem, este Diário, por sinal, trouxe uma notícia extremamente reveladora desse triste quadro: a informação de que a “última fronteira” Norte, em Mato Grosso, vem a ser nada menos do que líder no ranking de municípios com maior numero de focos de calor. Com efeito, Colniza (1.065 km ao Norte de Cuiabá), registrou 615 focos no período proibitivo de queimadas, segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). Sozinho, o Município é responsável por 8,1% do total de focos (7.589) nesse período, que começou em 15 de julho e vai até 15 de setembro. No geral, Mato Grosso registrou queda de 37,35% no número de focos, em relação ao mesmo período do ano passado. Vale registrar que a presença do Município no pódio de focos é recorrente, segundo a própria Sema, considerando que, como ainda não é uma região consolidada, há muita queima de área para limpeza de terreno. E isso é “comum” em regiões cuja atividade econômica se baseia na pecuária e no extrativismo vegetal. Colniza, a título de lembrança, integrou um projeto de colonização da Amazônia, intensificado na década de 80. Alcançou o posto de cidade somente em 1998. Em 2004, ficou nacionalmente conhecida como a cidade mais violenta do país, por conta do numero mortes registradas, segundo um estudo divulgado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos. É preciso mudar esse quadro urgentemente, exigindo dos Governos, em todos os níveis, um maior empenho na disponibilização de mais recursos (financeiros e humanos), sobretudo, nos períodos considerados críticos. Não será, certamente, com extensos balanços e relatórios idem que o Estado vai pôr fim a uma das maiores pragas que atacam o Meio Ambiente em Mato Grosso, as queimadas. “São as queimadas, que, nesta época do ano, atingem, em cheio, os quatro cantos do estado”

Edição EDIÇÃO 16966




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