Os números da dengue em Mato Grosso no ano passado, que foram divulgados ontem, em Cuiabá, por autoridades da Secretaria de Estado de Saúde são altamente preocupantes e servem de reforço para mobilização popular no combate a essa doença recorrente no período das chuvas no Brasil inteiro, há muitos anos. Em 2010, a dengue foi causa da morte de 54 cidadãos residentes em vários municípios de Mato Grosso; esse número pode ser ainda maior, porque 10 mortes com sintomas da doença estão em processo de investigação laboratorial. No período, as autoridades de saúde mato-grossense notificaram 45.104 casos da dengue sendo que 924 foram considerados da forma mais grave da doença. A título de exemplificação, o número de vítimas contaminadas correponde a uma população igual a de Lucas do Rio Verde, no Médio-Norte, que tem 45 mil habitantes e ocupa a 11ª colocação entre os municípios mais populosos de Mato Grosso. No cenário epidemiológico em 2010 Cuiabá registrou 5.165 casos com 95 da forma mais grave sendo que sete pessoas morreram com a doença e quatro mortes com sinotmas de dengue estão sob investigação. O ano de 2011 começa sob intensas chuvas em todas as regiões mato-grossenses. O quadro epidemiológico de 2010 e as condições climáticas de agora são motivos mais que suficientes para acender o alerta das autoridades da saúde e para mobilizar a população contra a dengue. Em Cuiabá esse alerta ainda é maior, porque a Capital enfrenta grave problema com a precaridade do sistema de coleta de lixo, o que contribui para o surgimento de potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti, que é vetor da doença. Portanto, diante da realidade apresentada pela estatística da Secretaria de Saúde e dos problemas existentes em Cuiabá é preciso a união de todos para evitar que a dengue ganhe proporções hiperendêmicas neste ano. Tanto quanto Cuiabá os municípios interioranos conhecem bem os danos causados pela dengue. Nessa situação, é dever das prefeituras e dos moradores promoverem todos os tipos de ações necessárias para evitar que se repitam neste ano os problemas ocorridos em épocas anteriores. Ao cidadão o combate sistemático ao problema da dengue não exige a reinvenção da roda. Basta o trivial, com a eliminação preventiva de locais que podem se tornar criadouros do mosquito e com o consciente exercício da cidadania plena em defesa própria, familiar e do conjunto da sociedade com a qual convive. Ao Poder Público cabe o papel constitucional de proporcional saúde ao cidadão. Para tanto tem que agir em várias frentes aplicando dedetização, eliminado focos e locais de possíveis focos do mosquito, conscientizando a população e cumprindo com seu dever em outras áreas, como por exemplo na coleta de lixo, que em Cuiabá fica a desejar e contribui para deixar seus moradores ainda mais vulneráveis ao mosquito Aedes aegypti. Tanto quanto Cuiabá os municípios interioranos conhecem bem os danos causados pela dengue