Editoriais
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009, 20h:23
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O fantasma da dengue
É extremamente oportuna a reportagem que este Diário publicou, ontem, revelando uma situação sui generis no que se refere ao trabalho (se é que existe) do Poder Público, no combate à dengue em Mato Grosso. De fato, enquanto dados nacionais apontam para uma queda brusca de 50% no número de casos até junho, o Estado registra alta de 190%. Ainda que tenha passado a época de maior incidência da doença, o risco de uma epidemia, infelizmente, não está descartado. Ao contrário da maior parte do país, onde, conforme o Governo, a conscientização popular contribuiu uma redução da incidência da dengue em 49,8%, na comparação direta entre 2009 e 2008, um balanço do Ministério da Saúde, divulgado nesta semana, simplesmente sinaliza para um aumento de 191,6% nas infecções em Mato Grosso. Os dados, com efeito, são preocupantes: Mato Grosso saltou de 10.225 casos em 2008 para 29.825 em 2009, conforme o período analisado. E tem o 4º maior percentual entre os Estados que registraram aumentos Acre, Roraima, Amapá, Bahia, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. No cômputo geral, Mato Grosso à parte, conforme a reportagem, os resultados da ação foram comemorados pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, como um grande esforço da sociedade, atribuindo à atuação dos cidadãos a queda dos números da doença no Brasil. Na opinião do ministro, é o mais importante avanço no combate à dengue. Curiosamente, em Cuiabá, agentes de saúde reclamavam, com freqüência, na época de grande proliferação dos casos deste ano, da pouca colaboração dos moradores em abrir as casas para serem eliminados os criadouros de mosquito. Mais curioso, ainda, é que apenas o Centro-Oeste registrou, em seu balanço geral, aumento no número de casos: 14% a mais, na comparação com o ano passado. Todas as demais regiões brasileiras registraram diminuição nos índices. No Sudeste, por exemplo, a redução foi de 65%. Os casos de óbitos caíram 70% em todo o país. No começo do ano, Governo e Prefeitura iniciaram, quase ao mesmo, uma ampla campanha na mídia, anunciando ações para combater a dengue na Capital e no Interior. A iniciativa, obviamente, configurou um alento, até porque a doença se alastrava pelo país e era natural que no Estado, pela suas próprias peculiaridades (clima tropical, floresta amazônica...), se desencadeasse uma ação rápida e eficaz. A euforia pela escolha de Cuiabá como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, no entanto, ofuscou a campanha contra a dengue. Parece que as autoridades esqueceram que a doença, além do mosquito transmissor, se propaga em função da falta de compromisso por parte de muitos para com a cidadania. É inadmissível a indiferença; pior a irresponsabilidade. A dengue, além do mosquito transmissor, se propaga em função da falta de compromisso por parte de muitos para com a cidadania