Editoriais
Segunda-feira, 30 de Abril de 2012, 20h:56
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O exemplo de Campo Grande
Nos anos 1990, antes de ser vendido ao HSBC, o Banco Bamerindus criou um jingle para sua caderneta de poupança, que marcou época. A música leve carregada com o ritmo magistral de seu intérprete, Os Três do Rio, caiu no agrado popular Brasil afora e era cantarolada até mesmo pelos mais dedicados funcionários dos demais bancos. O tempo passa, o tempo vou/E a Poupança Bamerindus continua numa boa/É a Poupança Bamerindus, dus, dus. O tempo é inexorável, passa, voa, como dizia o jingle da poupança. Cuiabá precisa se despertar para esta realidade quando o tema é a Copa do Pantanal de 2014, porque a exceção da obra da Arena Multiuso que será palco dos jogos, as demais teimam em continuar no papel ou pouco mais que isto sendo objeto de estudos para seu início. Manchete deste Diário na edição anterior mostra que enquanto Cuiabá hiberna no tocante as obras para a Copa do Pantanal, Campo Grande no vizinho Mato Grosso do Sul praticamente executou todas as construções previstas pelo plano de mobilidade urbana que as duas cidades se comprometeram em executar quando ambas, em 2009, disputavam o direito de sediar os jogos da chave do Pantanal em 2014. Mesmo sem ser sede da Copa do Pantanal, Campo Grande abriu mais de 100 quilômetros de novas ruas, construiu terminal rodoviário, concluiu o PAC 1 e se habilitou ao PAC 2, pavimentou 99% das rotas dos ônibus urbanos, botou em funcionamento um hospital de traumas e optou por implantar o sistema de ônibus rápido (BRT em sua sigla inglesa) como principal matriz de transporte de passageiros. O único encargo de Mato Grosso do Sul que não será cumprido junto a Fifa é a reforma do estádio Morenão, por óbvia razão, uma vez que Campo Grande não será a sede da Copa do Pantanal e tal investimento perde o sentido. Observem que o citado encargo seria com a reforma do antigo estádio e não a construção de outro, como acontece com Cuiabá, que demoliu o estádio Governador José Fragelli (Verdão) para edificar a Arena Multiuso ao seu lado. O calendário para o cumprimento das obras de mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande é curto, o que deixa a possibilidade de cumprimento do cronograma ameaçada. Faltando dois anos e dois meses para os jogos em 2014, a cidade sede da Copa do Pantanal sequer tem projeto para construir as linhas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e enfrenta problemas para obter o desembolso de recursos junto ao governo federal. Longe de querer reacender a antiga rivalidade que havia entre Campo Grande e Cuiabá, mas é preciso reconhecer que naquela cidade ocorreu o que se esperava que fosse feito aqui, ao passo que na sede da Copa do Pantanal a mobilidade urbana busca meios para se firmar enquanto projeto, mas muito ainda distante das esperadas obras, que se viabilizadas darão novo conceito urbanístico e melhorarão a qualidade de vida na quase tricentenária Terra de Paschoal Moreira Cabral. O tempo que nos resta é curto e se não for bem aproveitado o sonho cuiabano poderá se tornar pesadelo. O tempo que nos resta é curto e se não for bem aproveitado o sonho cuiabano poderá se tornar pesadelo