O cancelamento do contrato firmado com a empresa Global Tech para a aquisição de dez Conjuntos Móveis Autônomos de Monitoramento (Comam) foi a solução possível encontrada pelo governo do Estado após duas semanas de uma agenda negativa. Entre permanecer sangrando na imprensa e cancelar o contrato para iniciar uma nova licitação -, o governador Silval Barbosa optou pela segunda hipótese. O problema é que a decisão foi protelada demais, impondo um duro dano ao governo. Se tivesse tomado providências no momento em que a notícia da compra irregular veio à tona, talvez o desgaste tivesse sido menor. Após a divulgação da notícia da compra dos equipamentos, vieram a público outras informações bastante comprometedoras, como o fato de a Global Tech não ter nem sequer autorização do Exército para vender equipamentos de segurança. Do ponto de vista da segurança em si, ainda não há nenhuma certeza sobre a eficácia dos Conjuntos Móveis Autônomos de Monitoramento (Comam) no policiamento de fronteira. Sobre este prisma, o cancelamento não corre risco de resultar em dano à soberania do Estado. Daí a percepção de que se demorou demais para tomar uma atitude. Além de cancelar o contrato, o chefe do Executivo estadual determinou a elaboração de um novo procedimento licitatório, cuja data para lançamento ainda não foi definida. Ninguém questionou a necessidade da compra dos equipamentos, e sim a forma como ela foi feita. Então, para que o processo seja feito da forma mais transparente possível, o governador resolveu cancelar esse contrato e realizar outro procedimento licitatório, explicou o secretário extraordinário da Copa, Éder Moraes. Espera-se que o governo tire lições deste episódio. A principal delas é entender a necessidade de se dar mais transparência aos projetos que envolvam a Copa do Mundo de 2014. Um dos aspectos de um torneio como a Copa é a visibilidade que ele proporciona às suas sedes. Mas esta visibilidade pode ser negativa se os organizadores não entenderem a dimensão de seus atos. Qualquer deslize ou malfeito em Cuiabá hoje pode virar notícia internacional em questão de minutos. Em um mundo globalizado, em que a informação é instantânea, os governos precisam agir com a máxima transparência possível. Informações que vinham ontem do Palácio Paiaguás emitiam sinais de que isso deverá ocorrer a partir de agora. É o que a sociedade espera. Entre permanecer sangrando na imprensa e cancelar o contrato para iniciar uma nova licitação -, o governo optou pela 2ª opção.