Editoriais
Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010, 19h:55
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Mato Grosso em chamas
Mato Grosso enfrenta adverso período climático com altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e ventos fortes, o que causa problemas respiratórios notadamente em pessoas da terceira idade, crianças e doentes. Esse cenário é agravado pelo descontrole das queimadas urbanas e na zona rural. O adverso problema do clima é tão grave que deixou de ser visto somente pelos números dos relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que quantifica e localiza os focos de calor por meios de satélites a seu serviço. O quantitativo dos focos de calor é algo que na prática se torna abstrato para quem vive nas cidades longe das áreas rurais em chama. Porém, a baixa umidade relativa do ar é sentida por todos, indistintamente, pelo desconforto que causa e pelos diversos problemas de saúde que causa ao cidadão, principalmente doenças de cunho respiratório, que atualmente respondem por boa parte da demanda nos hospitais e prontos-socorros. Na tarde de ontem a umidade relativa do ar em Cuiabá caiu a 12%, percentual preocupante porque o ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) é 60%. Na segunda-feira, em Marcelândia, cidade recém-atingida por grande incêndio, o menor índice foi de 10%. Mato Grosso tem rígida legislação ambiental, que é modelo nacional, porém, a mesma não é cumprida por parcela da população - tanto nas cidades quanto no campo -, que não respeita o impeditivo do chamado fogo de limpeza de pasto no período mais agudo da estiagem. Além da queima criminosa de pastagens e de áreas com cobertura vegetal primitiva, ainda há fogo indiscriminado em lixo urbano e na vegetação em terrenos baldios. Ontem, em Cuiabá, uma Zona de Interesse Ambiental (ZIA) à margem do ribeirão do Lipa foi queimada. Na véspera, o fogo varreu a grama numa das alças do viaduto da Avenida Miguel Sutil sobre a Avenida Fernando Corrêa da Costa. Desde o começo de julho, a área metropolitana da Capital enfrenta incêndios. Em Mato Grosso a população sente os efeitos do fogo descontrolado e essa situação não pode continuar. Para revertê-la serão necessárias duas ações distintas: conscientização por meio de campanhas de alerta sobre o risco e os malefícios das queimadas e a aplicação de multas e até mesmo ações judiciais contra quem provoca incêndio intencional. Mato Grosso sabe por experiência própria o quanto o fogo é nocivo. Em 1998 municípios do Vale do Araguaia foram vítimas de um incêndio florestal que devastou mais de 300 mil hectares de mata e cerrado, além de pastagem e infraestrutura rural. Na semana passada, o maior incêndio urbano no Estado destruiu mais de 140 casas e indústrias madeireiras em Marcelândia. Que o conhecimento de Mato Grosso sobre fogo e os problemas que as queimadas causam aos habitantes das cidades e do campo motivem o cidadão a colaborar para que os incêndios deixem de existir, em nome da radionalidade, da qualidade de vida e em defesa do meio ambiente. A população sente os efeitos do fogo descontrolado e essa situação não pode continuar