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Editoriais
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013, 21h:06

Mão estendida

Data móvel, o último domingo de janeiro é o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, doença com citações no Velho e no Novo Testamento da Bíblia, que foi erradicada nos países desenvolvidos, mas que atinge milhares de pessoas no terceiro mundo e em outras áreas. No Brasil a hanseníase é um dos mais graves problemas de saúde pública. Em Mato Grosso, que é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como área hiperendêmica, os números da doença são alarmantes e preocupantes. Em razão do Dia Mundial de Combate à Hanseníase o noticiário está repleto de informações estatísticas sobre o problema. No Brasil o Ministério da Saúde e os demais entes federativos do Sistema Único de Saúde (SUS) desenvolvem trabalhos sérios, com uso de medicamentos que curam a doença. Essa situação é positiva, mas lamentavelmente ainda há um fosso muito grande a ser superado para se alcançar sua erradicação. Contra a erradicação da hanseníase pesam dois fatores: o período de incubação e o preconceito. A doença à vezes fica encubada por até 15 anos. O preconceito remonta aos templos bíblicos. Quem contrai o mal de Hansen ficava – e infelizmente em muitos casos – e fica estigmatizado. O medo do isolamento social leva o indivíduo a negar que seja hanseniano e a buscar tratamento longe de sua cidade, não raramente em outros estados. A ciência médica apresenta progressos extraordinários e tanto a hanseníase com suas sequelas nos nervos e membros são reversíveis. No entanto, o preconceito continua desafiador e botando de lado o tratamento humano que se deve dispensar principalmente aos mais necessitados, como é o caso do doente. O Brasil tem que derrubar o tabu da hanseníase. Os cinzentos tempos dos lazaretos – de tristes memórias – passou. Àquela época, os hansenianos eram internados nessas unidades confinadoras onde passavam o restante de suas vidas. Cuiabá teve um lazareto, foi o Hospital São João dos Lázaros, no bairro Areão. A ida compulsória ao lazareto era feita com base na suposta política de proteção da sociedade. A partir de 13 de janeiro de 1949 ela ganhou força legal com a entrada em vigor da Lei 610, que esteve em vigência até 1986. Os lazaretos não mais existem. Até mesmo a denominação de “lepra” que a doença recebia não se usa mais. O governo faz sua parte na tentativa de derrubar o estigma. Além das autoridades da área de saúde, o cantor Ney Matogrosso também atua no sentido de mostrar que a doença não é carma nem algo irreversível. Em campanhas voluntárias na TV o artista assume que foi hanseniano. Hoje, não é preciso milagres iguais aos narrados pelos Evangelistas sobre as curas de hansenianos que Jesus teria feito. Basta apenas tratamento ambulatorial e o uso da medicação conforme sua prescrição médica. O que ora falta é a mão estendida da comunidade aos doentes de agora. A grande luta no momento é pelo fim do preconceito. O medo do isolamento social leva o indivíduo a negar que seja hanseniano

Edição EDIÇÃO 16962




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