Editoriais
Quarta-feira, 06 de Junho de 2007, 19h:59
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Lei para todos
Tanto a ação da Polícia Federal no episódio relacionado ao indiciamento do irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a atitude do chefe da nação, que respaldou a investigação sobre qualquer brasileiro suspeito, são demonstrações importantes do grau de fortalecimento da democracia brasileira. O presidente da República, em visita oficial à Índia, disse não acreditar que seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, indiciado por tráfico de influência, esteja envolvido na chamada máfia dos caça-níqueis, alvo da Operação Xeque-Mate, que num primeiro momento levou 77 pessoas à prisão. Ainda assim, ressalvou que "se a Polícia Federal fez a investigação, está feita a investigação. Isso vale para qualquer um dos 190 milhões de brasileiros". Numa época em que diferentes áreas de atuação nos setores privado e público, envolvendo integrantes de todos os poderes nas três instâncias da federação, vão se transformando simultaneamente em casos de polícia, a manifestação presidencial sobre o episódio é estimulante para um país que precisa varrer a corrupção. Diante de tantas frentes de ação ao mesmo tempo contra irregularidades, é inevitável que a percepção da sociedade passe a ser a de um recrudescimento dos atos praticados à margem da lei e, ao mesmo tempo, de maior risco de impunidade. Daí a importância do respaldo presidencial à atuação policial, que incluiu uma operação de busca e apreensão na residência de seu irmão, com o devido cuidado para evitar que se venha a condenar inocentes e a absolver culpados. É bom saber que a Polícia Federal é independente a ponto de o próprio presidente da República ser surpreendido com a prisão de pessoas próximas. Entre os detidos na mais recente operação, além de um ex-deputado, um delegado, oficiais da PM e empresários, há até mesmo um compadre do presidente. É positiva a constatação de que, se há um "Estado policialesco" em ação, como vem sendo denunciado em alguns meios, o objetivo não é perseguir eventuais adversários nem poupar quem é governo ou pessoas de suas relações. Só isso, porém, não basta: o fundamental é que as investigações policiais sejam justas e conseqüentes, facilitando a punição de quem realmente "pisa na bola", como disse o presidente. Os episódios recentes mostram uma evolução na forma de encarar esse tipo de fato no país, onde não faz muito as investigações costumavam ir apenas até algum ponto e a proximidade com autoridades, não raramente, servia para acobertar mal-intencionados. O Brasil vive um momento em que, a cada dia, um novo escândalo parece estourar onde menos se espera, não raramente com o envolvimento de figuras conhecidas. Isso demonstra que as instituições estão fazendo sua parte, muitas vezes investigando e punindo a si próprias. A sociedade precisa aproveitar esta fase para uma mudança cultural, que exclua de vez do cotidiano a banalização de práticas como a ilegalidade e a corrupção. É bom saber que a Polícia Federal é independente