Editoriais
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 08h:49
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Inferno astral
O ex-vereador Ralf Leite (PRTB) teve seu mandado cassado, no começo do mês, por quebra de decoro parlamentar, mas, ao que parece, a punição não coloca ponto final da longa trajetória de, por assim dizer, calvário do jovem e encrencado político. Com efeito, o ex-parlamentar ainda tem contas as acertar na Justiça, em função da série de erros cometidos em sua curta trajetória (pouco mais de seis meses, desde sua eleição em 2008). Tramita na Justiça Eleitoral, por exemplo, processo em que Ralf é acusado de montar um esquema de compra de votos na eleição passada, quando teria contado com os préstimos de familiares e amigos. Ralf Leite também responde a um processo em que é apontado como autor de outro crime que pode até resultar em sua prisão, caso o Ministério Público ofereça denúncia. Trata-se de exploração sexual de um travesti de 17 anos, com o qual o ex-vereador foi flagrado, na prática de ato libidinosos, em 6 de fevereiro, numa área de prostituição e tráfico de drogas, em Várzea Grande. Esse fato, como se recorda, originou o processo que culminou com sua cassação. Neste momento, o ex-vereador e seus advogados de defesa tentam definir uma estratégia no sentido de impetrar, no Poder Judiciário, uma ação visando à restauração do seu mandato, por entender que sua cassação teria sido um ato de injustiça. A ação judicial é um direito assegurado ao político, embora, no âmbito político e, sobretudo da Câmara Municipal, a punição ao ex-parlamentar seja considerada irreversível. Tanto que o substituto imediato de Ralf o suplente Totó César já está devidamente empossado no cargo. Não bastasse esse rol de processos e de dificuldades, Ralf Leite passou, na última semana, a responder a outro processo delicado. De fato, os policiais militares Fábio Gomes de Oliveira e Uanderlei Benedito da Costa estão pedindo, cada um, uma indenização de R$ 465 mil por dano moral contra Ralf Leite. Como este Diário revelou, os dois PMs entraram, nas 5ª e 13ª Varas do Fórum Cível de Cuiabá, com ação individual contra o ex-vereador, num processo que começou com a sua prisão em flagrante, feita pelos dois militares. Como já anteciparam em depoimento à Comissão de Ética da Câmara, os dois PMs alegam que as falsas informações noticiadas por Ralf Leite repercutiram a nível estadual e nacional, criando enorme prejuízo à imagem da corporação e, principalmente a eles próprios, que sofreram processo disciplinar na corporação. Na ocasião, alegou ter sido vítima de uma armação política e que os militares tentaram extorqui-lo, pedindo R$ 600. Mas, investigações disciplinares indicaram a inocência dos policiais. O inferno astral de Ralf Leite, pelo que nota, ainda vai demorar acabar. A tentativa de voltar à Câmara pela via judicial não parece ser a saída mais adequada. Antes, ele deve acertar as demais contas que tem a saldar com a própria Justiça. Crime eleitoral e de suposta calúnia contra PMS só complica a situação do ex-vereador Ralf