Editoriais
Sábado, 19 de Maio de 2007, 13h:28
A
A
Inclusão sem qualidade
O Brasil, que tem na qualidade do ensino um dos pressupostos para assegurar um lugar entre os grandes, enfrenta um dilema preocupante. Nos últimos anos, o país conseguiu levar grandes contingentes de crianças e jovens para a sala de aula, mas à custa de uma piora acentuada na qualidade dos indicadores de maneira geral. Divulgada agora, a Sinopse Estatística da Educação Básica revela que, assim como não consegue fazer a economia crescer com estabilidade, o país enfrenta sérias dificuldades para garantir uma educação massificada com qualidade. As duas prioridades estão interligadas e tanto o setor público quanto a sociedade organizada têm a responsabilidade de encontrar respostas eficazes, que livrem o país do atraso educacional e econômico. O levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela área de pesquisa e avaliação do Ministério da Educação (MEC), aponta algumas questões relevantes. De 1992 até 2005, por exemplo, último ano com dados disponíveis em todo o país, o percentual de jovens que não estudavam na faixa de 15 a 17 anos caiu de 40,3% para 18%. O percentual chegou, inclusive, a situar-se em 17,6% em 2003. A questão é que, de 1998 até dois anos atrás, pela sétima vez consecutiva, as taxas de reprovação no Ensino Médio aumentaram. E, o que é igualmente preocupante, a tendência se reproduz no Ensino Fundamental. Daí a urgência de o país enfrentar o problema, com medidas que acenem com resultados imediatos para quem já está estudando e a médio e longo prazos para contemplar quem se prepara para começar a freqüentar a escola. Os governos, em diferentes instâncias, têm uma parcela importante de responsabilidade diante dessa questão, pois são os encarregados da formulação de políticas públicas e da administração dos recursos orçamentários. Diante de demonstrações crônicas de ineficiência gerencial e da má alocação de recursos, porém, cada vez mais a sociedade organizada vem se dispondo a atuar nessa área. Exemplo típico é o movimento denominado Todos pela Educação, uma aliança da sociedade civil envolvendo iniciativa privada, organizações sociais e gestores públicos criada justamente com o objetivo de garantir a crianças e jovens uma educação de qualidade. O poder público age certo ao recorrer cada vez mais a sistemas de avaliação para apurar que tipo de aprendizagem os jovens brasileiros estão recebendo e, a partir daí, corrigir as deformações. Ainda assim, educação não pode se constituir apenas em preocupação de governo, pois diz respeito a um projeto de nação. A busca de melhoria precisa envolver todos os cidadãos, incluindo os próprios alunos, os pais, educadores, representantes de empresas, líderes de organizações sociais e, é claro, gestores públicos, com ações adequadas e que tenham continuidade. A busca de melhoria precisa envolver todos os cidadãos, incluindo os próprios alunos