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Editoriais
Quinta-feira, 12 de Maio de 2011, 21h:00

Igualdade para todos

Escravidão na acepção da palavra é página virada no Brasil, o país que protagonizou uma das mais horrorosas relações interraciais no mundo, com brancos subjugando negros e índios numa escravatura sangrenta que permanece como nódoa irremovível na história nacional. Felizmente o clamor popular removeu a escravidão por força de um conjunto de leis que gradualmente reduziu a submissão dos negros e índios, até que houve o coroamento da igualdade racial pela Lei Áurea, que levou as impressões digitais do engenheiro nascido em Poconé, Esperidião Costa Marques, enquanto seu principal redator. Desde 13 de maio de 1888 a escravidão foi abolida nacionalmente e ao longo desses 123 anos a legislação tratou de aperfeiçoá-la a ponto de a Lei Afonso Arinos considerar crime inafiançável qualquer comportamento que se traduza em racismo. Mesmo sem escravidão e com sua criminalizada ainda há racistas, mas esse comportamento não traduz a conduta brasileira e certamente tem origem no resquício da casa grande, que ainda se arrastará por algumas gerações, por mais que a humanidade evolua. Hoje, negros, brancos, asiáticos, índios e a miscigenação que brota da fusão dessas raças compartilham as mesmas escolas, igrejas, praças, universidades e ambiente de trabalho gozando direitos iguais e tendo os mesmos deveres. A escravidão foi banida, mas em seu lugar surgiu a intolerância que se manifesta da forma mais agressiva possível contra homossexuais e em escala menor no plano religioso. O Brasil somente será país de cidadania plena e nação de primeiro mundo quando todos os seus cidadãos vivem forem respeitados independentemente de cor, credo, opção sexual, poder aquisitivo e saber. Não será fácil romper as amarras do medievalismo tão fortemente arraigadas em tantos a ponto de os levarem a atos violentos contra travestis, homossexuais, judeus, ciganos, idosos e deficientes físicos. O Estado tem que agir com o rigor da lei contra os que praticam violência contra esses grupos, retirando-os do convívio social os mantendo atrás das grades para que se ressocializem. De igual modo precisa investir na formação cidadã das crianças, para que no amanhã tenhamos um conjunto social com cidadania plena, que respeite coletiva e individualmente os habitantes desta terra. O açoite no Pelourinho e os estupros na casa grande ou na senzala, a desumana carga de trabalho e submissão racial que no ontem faziam do negro raça inferior aos olhos dos senhores dos escravos se transformou na criminosa mão que mata travestis, prostitutas e outros profissionais do sexo. Mato Grosso é palco de constantes violências contra homossexuais, mas as autoridades e segmentos da sociedade se uniram para tentar reverter essa situação. Tomara que os novos navios negreiros em que se transformaram carros e motos para os ataques aos que sexualmente são diferentes do modelo convencional de relacionamento naufraguem nas garras da lei em nome da igualdade que se busca e que se espera. A escravidão foi banida, mas em seu lugar surgiu a intolerância

Edição EDIÇÃO 16969




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