O setor de transporte de Mato Grosso tem grandes demandas e enfrenta resistência dos estados com maior representatividade política, que dificultam a ação do governo federal em todas as esferas nos estados amazônicos e do Centro-Oeste, considerados periféricos. A malha rodoviária federal que demanda ao Centro-Sul está a um passo do chamado apagão logístico. Rumo norte, as rodovias BR-163 e BR-158 permanecem como grandes desafios na ligação com Santarém e Marabá, ambas no Pará, respectivamente. Uma das principais rotas regionalizadas para o escoamento da produção agrícola mato-grossense é a BR-163, que dá acesso aos portos paraenses de Miritituba e Santarém. A conclusão da pavimentação dessa rodovia é um sonho acalentado há 22 anos, por produtores em seu eixo de influência, desde que seu trecho de Cuiabá a Nova Santa Helena foi asfaltado no governo do presidente João Figueiredo. Uma pequena parcela da obra da BR-163 foi viabilizada, ontem, pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), que liberou R$ 20 milhões ao 8º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército (8º BEC), de Santarém, para a pavimentação de um trecho de 20 quilômetros entre aquela cidade e Rurópolis, também no Pará. O recurso liberado pelo presidente do Dnit, Luiz Antônio Pagot, é suficiente para a execução da obra num trecho de 20 dos 900 quilômetros que ainda faltam para ser asfaltados entre Cuiabá e Santarém. Esses números deixam claro que para se concluir a pavimentação de Mato Grosso ao Pará será necessário mais que um grande desembolso: será preciso muita articulação política e a união dos governadores e das bancadas federais e estaduais dos dois lados da divisa de Estado. Maior fronteira do agronegócio brasileiro e localizado na região central do continente, Mato Grosso convive com a dualidade de produzir muito e enfrentar dificuldade para escoar essa produção. Essa situação exige investimentos no setor de transporte para a implantação de modais integrados por rodovias, hidrovias e ferrovias, sob pena do custo do frete pelos meios ora disponíveis onerarem e até mesmo inviabilizarem a exportação de grãos, carnes e outros produtos imprescindíveis à segurança da política alimentar em algumas regiões do planeta. As grandes obras estruturantes são conquistadas no conta-gotas, ao passo que a demanda mundial por alimentos aumenta em ritmo acelerado. Mato Grosso é legalista na observação da legislação ambiental e estratégico enquanto região agropecuária - que se reverte em fator de geração de emprego e distribuição de renda mas essa condição está sob ameaça pelo estrangulamento de sua logística de transporte. As grandes obras estruturantes são conquistadas no conta-gotas