Editoriais
Terça-feira, 26 de Junho de 2007, 20h:16
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Gestão pública eficaz
Ao afirmar esta semana que o caos aéreo é um sinal de prosperidade do país porque muitas pessoas passaram a ter poder aquisitivo para viajar de avião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tocou num nervo exposto da administração da qual faz parte. O momento da economia brasileira é realmente favorável: há superávit nas exportações, temos moeda forte, inflação sob controle, queda de juros e do Risco-Brasil. Além disso, o cenário mundial é propício ao crescimento. Mas a ineficácia gerencial do governo pode fazer o país perder esta excepcional oportunidade para um salto de desenvolvimento. Longe de ser indício de prosperidade, o chamado apagão aéreo é uma evidência de desorganização administrativa, de falta de regulação e de descaso com a infra-estrutura de serviços. Ao anunciar um pacote de medidas duras na última sexta-feira, o comandante da Aeronáutica procurou reparar a mazela mais evidente do desgoverno na área, que era a falta de autoridade. Trata-se apenas de uma medida emergencial - necessária, mas insuficiente. É de se esperar que, a partir da retomada do controle da situação, o governo também corrija as deficiências e os conflitos que levaram à degradação de um serviço tão essencial para o progresso e para a imagem do país. Cabe, porém, estender esta firmeza a outros setores da administração pública. Não é possível que um país com tanto potencial de desenvolvimento continue travado por uma burocracia perdulária e ineficiente. Enquanto as estruturas administrativas da nação continuarem consumindo mais de 30% do PIB nacional, sem devolver à sociedade um retorno compatível com tamanho gasto, não haverá futuro digno para os brasileiros. O país avançou bastante na questão educacional, com a universalização do ensino. Também apresenta evolução no problema crônico da distribuição de renda da população, embora à custa de programas assistencialistas de duvidosa eficácia. Mas precisa de um urgente choque de gestão, capaz de transformar a administração pública num instrumento efetivo de desenvolvimento. Da mesma forma como interveio na dramática situação do tráfego aéreo, o governo tem o dever de implementar logo as reformas estruturais que estão paralisadas e de reduzir o custo da máquina administrativa, ainda que precise enfrentar pressões políticas e corporativas. Sanear as finanças e assegurar eficácia à máquina pública são os elementos básicos do chamado "choque de gestão", que tem sido anunciado por sucessivas administrações, muitas vezes apenas como uma estratégia de marketing. Em contraponto, os adversários políticos dos governos que acenam com esta bandeira têm dito que alguém ainda acabará eletrocutado com tanto choque. A verdade, porém, é que o nome da ação é irrelevante. O que importa é sua implementação, para que o país não perca esta oportunidade ímpar de sair do atraso. A ineficácia gerencial do governo pode fazer o país perder esta oportunidade para um salto de desenvolvimento