Editoriais
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011, 20h:37
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Fome e trabalho
Mato Grosso é campeão nacional em vários elos da engrenagem do agronegócio. Mas, seu título mais importante não é na área econômica e sim no campo social. Prova disso é a mobilização que acontece no final do ano para arrecadar e distribuir alimentos a milhares de famílias que se encontram vulnerabilizadas no aspecto da segurança alimentar. Em defesa da grande parcela da população que vive abaixo ou na linha de pobreza, o governo estadual lançou no domingo, num show beneficente na Praça das Bandeiras, em Cuiabá, a campanha Natal da Família, que é coordenada e liderada pela primeira-dama e secretária de Trabalho e Assistência Social, Roseli Barbosa. Natal da Família é uma campanha compartilhada pela Maçonaria, Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), clubes de serviço, sindicato dos supermercadistas e do transporte rodoviário, 13ª Brigada, Corpo de Bombeiros Militar, diversas outras instituições, empresários e, principalmente pela população que não deixa de doar dentro de suas possibilidades. A arrecadação dos alimentos teve início no domingo, uma vez que o público que assistiu ao show na Praça das Bandeiras pagou ingresso simbólico com 2 kg de alimentos não perecíveis. A Campanha prossegue até o dia 10 de dezembro. Os alimentos arrecadados serão distribuídos em Cuiabá, Várzea Grande e nos demais municípios às famílias carentes cadastradas pelo governo, a instituições filantrópicas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, aldeias indígenas e acampados do movimento sem-terra. Essa campanha acontece ininterruptamente desde 2003 e ao longo desse período não houve redução do número de famílias assistidas. Esse fato acende a luz amarela porque evidencia que o problema social causado pelo desemprego e subemprego não foi revertido. Em ocasiões especiais é preciso dar o peixe. Porém, em condições normais o correto é ensinar a fisgá-lo. Mato Grosso não pode mais aceitar tamanha demanda social se repetir ano após anos, principalmente em Cuiabá, onde há bolsões de miséria na periferia. Reverter o desemprego é dever do Estado em todas as suas esferas, mas essa atribuição também deve ser compartilhada pelo empresariado. Os números mostram o desemprego em sua face mais cruel, que é aquela que estampa o indivíduo sem condições de comprar alimentos para sua família. Esse quadro requer medidas amargas, sem prejuízo do atendimento social de emergência como ocorre com Natal da Família, que assegura prato cheio num período de aproximadamente três meses. O Estado tem que mostrar aos que estendem a mão por alimento em Cuiabá que há emprego no agronegócio, na construção de hidrelétricas e nas obras rodoviárias no interior. Não se trata fome com superficialidade nem pela tangente. O cidadão carente tem que receber o alimento a tempo e a hora, mas isso não pode se eternizar. Chegou a hora da praticidade: é tempo de promover a união do trabalhador com o trabalho, antes que Natal da Família se transforme em paternalismo. Mato Grosso não pode mais aceitar tamanha demanda social se repetir ano após anos