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Editoriais
Segunda-feira, 05 de Maio de 2008, 20h:48

Falta educação

Reportagem especial recente deste Diário revelou que, com cerca de 200 mil carros e mais de 50 mil motocicletas circulando num espaço que, há três décadas, praticamente não passou por nenhuma mudança física, para fazer com que o tráfego ganhasse maior fluidez, Cuiabá tem no trânsito um dos maiores desafios, na infra-estrutura urbana. Ao longo do tempo, a capital mato-grossense sentiu o reflexo desse crescimento desordenado, de tal forma que a conseqüência maior disso é a sua inclusão no rol das cidades brasileiras com um dos maiores índices de acidentes de trânsito. Na verdade, já é a 5ª capital e a 20ª cidade em registro de acidentes. No Brasil, essa irregularidade faz nada menos do que 35 mil vítimas fatais por ano. Ademais, só com acidentados são gastos R$ 28 bilhões – um dinheiro que, sem nenhuma dúvida, poderia ser aplicado em muitos setores carentes de investimento. Não sem razão, há tempos, o trânsito local ostenta a etiqueta de “caótico”, levando em conta as estatísticas divulgadas diariamente, as quais costumam revelar que ruas e avenidas da cidade são os locais onde mais se cometem crimes contra o ser humano. É forçoso reconhecer que as principais vias urbanas de Cuiabá já chegaram ao limite do suportável. Todavia, é preciso considerar, também, que grande parte dos acidentes ocorre por absoluta falta de educação da grande maioria dos motoristas em relação ao trânsito. Com efeito, outra reportagem do jornal – publicada no domingo que passou – mostra que, além dos riscos comuns do trânsito nas ruas de Cuiabá - a ocorrência de acidentes provocados pela imprudência dos motoristas, condições das pistas e falta de sinalização -, poucos minutos de observação em alguns pontos da cidade são suficientes para constatar nada menos do que o abuso por parte de pedestres. Muitos atravessam avenidas e cruzamentos de grande fluxo de veículos alheios à movimentação dos carros, ônibus e motos e a poucos metros das faixas de pedestres. Mais grave ainda, até violam grades de proteção instaladas nos canteiros para restringir a travessia nos pontos onde há faixas de pedestres ou são mais adequados e seguros. A falta de conscientização para os riscos é tão evidente que, ao que se nota, virou um (péssimo) hábito. “Sei que é errado, mas posso garantir que não faço isso habitualmente”, disse um cidadão, ao ser flagrado atravessando uma pista de alta velocidade, no Centro. Entre 2002 e 2005, quando ainda existiam dados específicos sobre atropelamentos na Capital, pouco mais de 1.800 pessoas foram atropeladas nas ruas de Cuiabá. Dessas, 110 morreram e outras dezenas ficaram com seqüelas graves. A violência no trânsito é um problema nacional enraizado na sociedade. Falta, todavia, uma maior conscientização. É preciso, sobretudo, educação para que tenhamos um trânsito mais humano. “Educação é o que falta, para termos um trânsito mais humano em Cuiabá”

Edição EDIÇÃO 16966




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