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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007, 20h:00

Extrema gravidade

Finalmente o poder público adotou as medidas de autoridade para evitar que a crise no transporte aéreo continuasse a infernizar a vida dos usuários e para restabelecer a rotina nos aeroportos e a disciplina na área dos controladores de vôo. A impaciência com que o país acompanhava desde outubro a repetição do apagão dos aeroportos - e que era creditada também a uma incompetência administrativa - chegou ao presidente da República, ao ministro da Defesa e ao comandante da Aeronáutica. Este, ao anunciar as medidas no final da última semana, qualificou o momento como "de extrema gravidade". O país estava refém de um grupo de controladores, da falta de intervenções administrativas eficazes e da carência de um projeto estratégico para a questão da aviação comercial. Precisou que uma ministra cometesse a gafe histórica de recomendar aos usuários que "relaxassem" diante dos transtornos e que outro confundisse o caos do setor aéreo com os sinais da prosperidade para que o governo decidisse fazer o que parecia óbvio desde o início da crise: exercer sua autoridade. A declaração do ministro Guido Mantega, de que a crise do setor aéreo não retrata outra coisa que a expansão da procura por essa modalidade de transporte, deve ser encarada mais como uma desculpa apressada do que como uma explicação convincente. Mesmo que a economia esteja num momento de dinamismo, nada do que está ocorrendo nos aeroportos lembra alguma coisa próxima do que diz o ministro. O caos do sistema aéreo, que se repete semana sim, semana não desde outubro e que já podia ser vislumbrado quando se desativou a Varig, mostra sérias deficiências no âmbito dos controladores, da oferta de assentos e da defasagem dos equipamentos. O problema que o ministro Mantega levanta, o do despreparo do país para o crescimento, é real, mas não explica o caso específico do desarranjo dos aeroportos. Uma coisa é essa incapacidade estrutural de enfrentar as demandas de um país que precisa crescer, outra é a incompetência administrativa que não consegue superar uma crise específica que já dura nove meses. Será que alguém leva a sério a versão do ministro Mantega para a crise? Nem o próprio presidente da República, que seguramente gostaria que a tese fosse verdadeira, acredita nela. Ao contrário, ao exigir, como fez ontem, que a Aeronáutica resolvesse o caos aéreo, identifica causas para a crise que não passam nem perto das sugeridas por seu ministro. De resto, ao externar publicamente essa visão equivocada do problema aéreo, o governo estava demonstrando que nem no escalão mais próximo do presidente havia compreensão do que estava ocorrendo e das medidas necessárias para que se retomasse a normalidade, se corrigissem os equívocos e se solucionassem as carências. As medidas emergenciais anunciadas ontem representam o primeiro passo para o restabelecimento da autoridade numa área em que a sociedade já se convertera em prisioneira de interesses corporativos e da falta de ação das autoridades civis e militares. Essa mesma sociedade espera agora que os demais atos necessários para afastar o apagão aéreo sejam adotados com a mesma decisão e o mesmo sentido do bem coletivo. A intervenção de ontem parece indicar que, ao contrário do que sugeriam as declarações dos ministros do Turismo e da Fazenda, o governo já tem a identificação correta das causas e dos efeitos da crise e dos remédios adequados para erradicá-los. Será que alguém leva a sério a versão do ministro Mantega para a crise?”

Edição EDIÇÃO 16963




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