Editoriais
Sexta-feira, 07 de Novembro de 2008, 20h:52
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Evolução lenta
A evolução da sociedade humana tem dado reiteradas provas de que a educação é o mais importante e decisivo fator de mudança social e econômica. Já não há dúvida de que o conhecimento e tudo o que o cerca constituem ferramentas estratégicas que não podem ser dispensadas e que fazem a diferença frente às exigências da sociedade da informação do século 21. Investir na educação é, por isso, investir no que há de mais transformador numa comunidade ou num país. Estas considerações justificam o empenho que o Brasil está fazendo para conquistar padrões de educação compatíveis com as potencialidades do país e as exigências de seus cidadãos. O ministro da Educação, em conferência para alunos de diplomacia do Instituto Rio Branco, em Brasília, reafirmou o desejo do governo de atingir, até 2010, investimentos de 5% do Produto Interno Bruto em educação, superando os atuais 4,4%. O próprio ministro Fernando Haddad reconhece que o Brasil ainda está longe de destinar à educação o que a ONU considera recomendável para países em desenvolvimento, como o nosso, ou seja, 6% do PIB. O Brasil está, nas últimas décadas, tentando honrar uma dívida social e educacional histórica. Algumas conquistas já foram obtidas, como a da universalização do ensino básico. Mas ainda é alto o analfabetismo na população, a qualidade do ensino é freqüentemente precária e o Ensino Médio está longe de ser ofertado a toda a sociedade. A formação de professores e as condições das escolas nem sempre estão à altura das exigências e das necessidades. As dificuldades em atender aos investimentos que a educação exige são o reflexo da incapacidade que o setor público tem, em suas três esferas, de cumprir integralmente o que a Constituição de 1988 estabeleceu como direito de todos e dever do Estado, o ensino público, gratuito e de qualidade. Municípios e Estados, premidos por outras prioridades ou por prioridades historicamente equivocadas, acabam por se descuidar do desafio da educação. Como resultado, os estudantes brasileiros falham nos testes de língua portuguesa e de matemática e o país figura nos rankings internacionais numa posição pouco melhor que vergonhosa. O esforço dos governos e a preocupação de amplas áreas da sociedade brasileira são a demonstração de que o país está consciente da importância que essa questão tem. Felizmente, os avanços já obtidos apontam para a superação das deficiências, ainda de maneira lenta e desigual, mas nem por isso menos elogiável. Nesse sentido, diante dos problemas gerados pela crise dos mercados e pela pressão que os governos sofrerão para que cortem despesas, é fundamental que a prioridade da educação seja preservada e os investimentos, mantidos. É fundamental que a prioridade da educação seja preservada e os investimentos, mantidos