Editoriais
Sexta-feira, 09 de Abril de 2010, 21h:19
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Em nome da lei
A Operação Hygeia desencadeada pela Polícia Federal cumprindo mandados de prisão e de apreensão em Mato Grosso, Rondônia, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal revela uma situação preocupante e que exige aprofundamento das investigações para se saber a extensão dos danos causados à saúde indígena pela suposta quadrilha alvo da operação em curso e que seria formada por servidores da Funasa, empresários, políticos e dirigentes de ONGs e de oscips. A sociedade urbana desconhece o que acontece nas reservas indígenas, porque seu acesso a essas áreas é restrito. Funai e Funasa procuram se manter distantes da estrutura social brasileira. As ONGs também fazem mistério sobre atendimento aos indivíduos das diversas etnias que vivem nas aldeias. Mesmo no cenário que seria o ideal, calcado na seriedade da destinação e aplicação dos recursos públicos, a saúde indígena teria que se pautar pela transparência e permanecer sob vigilante controle externo. Em caso de evidências de irregularidades conforme demonstra a ação que resultou na Operação Hygeia a União tem que agir com a máxima rapidez e o maior rigor para estancar o desvirtuamento da atuação dos agentes públicos e empresários prestadores de serviço nessa área. Hygeia não pode se encerrar como tantas outras operações policiais que figuram por alguns dias no noticiário, depois desaparecem e os personagens que motivaram seus desencadeamentos permanecem impunes. O Brasil não pode aceitar que as populações indígenas sejam privadas de atendimento médico, de medicamentos, de internação hospitalar, de saneamento em razão de desvio de recursos orçamentários específicos para tais destinações. Além de crime hediondo na medida em que priva o indivíduo indígena da assistência pela saúde pública, o que pode resultar em morte ou agravamento de doença a corrupção apontada pela Polícia Federal na esfera da Funasa é crime de colarinho branco e além disso deixa o Brasil em incômoda situação no contexto das nações. A investigação policial se afunila. Tomara que chegue aos verdadeiros responsáveis. É preciso que essa nebulosa página seja passada a limpo, sem rodeio, sem contemplação, sem caça às bruxas, mas somente em nome da lei e pela erradicação da pior praga que assola o Brasil: a corrupção. Mato Grosso tem antiga e grande dívida moral com os povos indígenas e não consegue resgatá-la. Como se isso ainda não bastasse, na área territorial desse Estado brotou o epicentro do escândalo que se tornou público com a Operação Hygeia. Que a firmeza, a isenção, a serenidade e o discernimento do juiz federal Julier Sebastião da Silva, titular da ação que resultou na Operação Hygeia, restabeleçam a atividade-fim da Funasa afastando-a da situação em que se encontra. Que em breve isso ocorra pelo bem dos povos indígenas, pela moralidade do serviço público e em nome da lei. A investigação policial se afunila. Tomara que chegue aos verdadeiros responsáveis