Editoriais
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010, 20h:28
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Em defesa da criança
Inconcebível sob todos os aspectos que por falha de logística de distribuição nacional municípios mato-grossenses deixem de receber vacinas existentes nos estoques do Ministério da Saúde. Exatamente por falta de logística de distribuição de vacinas Mato Grosso deixa de receber 60 mil doses da vacina contra meningite tipo C, o que vulnerabiliza crianças de até dois anos em 98 municípios. A justificativa do Ministério da Saúde para tanto é que não há bobinas de gelo suficientes para assegurar durante o transporte a temperatura exigida de 2 a 8 graus Celsius. Sem gelo para o transporte da vacina Mato Grosso enfrenta o dilema de contar somente com 30 mil doses de estoque anterior em 48 municípios e dentre eles Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Cáceres, Tangará da Serra, Primavera do Leste e Barra do Bugres. Mato Grosso não pode aceitar a explicação do Ministério da Saúde para a falta de fornecimento da vacina, que em condições normais teria que contar com logística permanente para seu transporte e, que em casos atípicos exigiria imediata ação transversal incluindo outros órgãos governamentais a exemplo da Força Aérea Brasileira (FAB), que tem aviões prontos para decolagem e domina tecnologia que assegura temperatura ideal para qualquer tipo de carga ou de viagens de passageiros civis. Crianças mato-grossenses foram atingidas por meningite neste ano, sendo que três vítimas fatais são do bairro Planalto, em Jaciara, cidade na região sul do estado. Mesmo diante desse cenário assustador e que exige pronta resposta das autoridades de saúde, parte da população infantil permanece sem cobertura vacinal, totalmente desprotegida por falta de meios para se transportar a vacina. A Procuradoria Geral da República em Mato Grosso deve agir nesse caso exigindo que a União cumpra o ditame constitucional que estabelece que saúde é direito de todos e dever do estado. Além disso, o governo estadual precisa pressionar Brasília, até mesmo em nome do princípio federativo, para que o Ministério da Saúde solucione de imediato o grave problema da falta de vacina contra meningite tipo C. Esse caso tem que ser tratado pelas autoridades estaduais fora da esfera política e somente no campo administrativo, porque o que está em jogo é o bem mais preciso que existe: a vida. Tomara que amanhã, antes do começo do prolongado feriado de Finados, o Ministério da Saúde solucione esse grave problema, porque prevenção contra meningite não se faz observando calendário com ponto facultativo nem inatividade de servidor público em final de semana. Em respeito à vida e às crianças de Mato Grosso é preciso levar adiante a recém-lançada campanha de vacinação contra a meningite em 48 municípios, mas sem prejuízo da luta para que essa cobertura vacinal seja universal e atenda todos da faixa etária a que se destina, em todos os municípios, porque criança é indefeso ser humano que não pode ser colocado em lista de desamparo. Criança é indefeso ser humano que não pode ser colocado em lista de desamparo