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Editoriais
Sábado, 16 de Outubro de 2010, 12h:15

Em defesa da capilarização

Lucas é um dos quatro evangelistas, mas não foi apóstolo de Jesus Cristo. Médico nascido e formado em Antióquia na Ásia Menor, hoje região síria, era gentio – designação à época dada aos que não professavam o judaismo. São Lucas viveu um século depois da crucifixação de Jesus. Além do exercício da medicina também era historiador e se dedicava à pintura e música. Santo da Igreja Católica Apostólica Romana, esse evangelista entrou no calendário canônico que faz de 18 de outubro o “Dia de São Lucas”. Em razão de sua profissão, seus colegas de medicina adotaram essa data para reverenciar o “Dia do Médico”. São tantas as datas comemorativas no Brasil, que tal proliferação acaba por vulgarizá-las. Porém, independentemente do tom festivo é preciso aproveitar esse momento para se fazer reflexão sobre médico e a ausência desse profissional em algumas cidades mato-grossenses, situação essa que coloca em risco parte da população. Nacionalmente a medicina de especialidades funciona como se fosse verdadeiro funil. A demanda por atendimento médico acontece em todos os lugares, mas sua resposa é setorizada, inclusive nos estados mais desenvolvidos como ocorre em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso, de modo geral, nas pequenas comunidades e cidades o setor de saúde se resume à clínica geral. Quando o caso exige tratamento por especialista o paciente é encaminhado ao hospital regional mais próximo. Se nessa unidade hospitalar não há condição de atendimento, o mesmo é encaminhado para Cuiabá e em determinadas situações para Rondonópolis. Esse turismo de saúde em algumas circunstâncias, nas especialidades de cardiologia, oncologia e outras se estende a São Paulo. Evidentemente que é inviável a instalação em pequenas cidades de hospitais com profissionais de todas as especialidades, porque não haveria demanda para todos os especialistas e, além disso, não há disponibilidade de médicos para tanto. Porém, independentemente dos argumentos que autoridades apresentem para mostrar inviabilidade de avanço substancial do serviço de saúde pública em Mato Grosso, é imprescindível que todos os municípios e vilas tenham clínicos gerais e que contem com especialistas que se encaixem ao perfil das demandas locais por atendimento. Mato Grosso tem bolsões de medicina, porque ainda não conseguiu capilarizar o médico em seus 141 municípios, o que cria injustificáveis vazios de atendimento de saúde. À gestão tripartite do Sistema Único de Saúde (SUS) precisa se unir a iniciativa privada interiorana mato-grossense para a formação de uma ampla e atuante PPP Caipira da Saúde que assegure boa remuneração aos médicos nas pequenas cidades, para estimulá-los a viver em tais lugares, porque sem a presença dos colegas de São Lucas a vida longe dos grandes centros se torna perigosa aventura. Nacionalmente a medicina de especialidades funciona como se fosse verdadeiro funil

Edição EDIÇÃO 16966




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