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Editoriais
Segunda-feira, 18 de Abril de 2016, 19h:56

Em busca de um rumo

Encerrado esse longo e exaustivo período em que ficou virtualmente paralisado pela polarização provocada pelas negociações em torno do impeachment, o país precisa definir de imediato que rumo pretende dar à condução da política e da economia. Vinte e quatro anos depois do processo anterior, marcado pela unanimidade, e independentemente de seus posicionamentos pessoais em relação ao caso, os brasileiros estão apreensivos e inconformados com o aprofundamento da recessão e do desemprego. Por isso, o país precisa se comprometer com a pressa não apenas para reequilibrar suas contas, desorganizadas a ponto de exigirem controversas manobras fiscais que sustentaram o pedido de impeachment. Precisa, acima de tudo, reformar sua política e acelerar o ritmo da atividade econômica, favorecendo uma retomada imediata das oportunidades de trabalho. Em princípio, pode parecer improvável que um país fragmentado pelas disputas relacionadas ao processo de impedimento e um Congresso dividido por interesses partidários e pelo envolvimento de muitos de seus integrantes em denúncia de corrupção possa levar adiante o que seus homens públicos vêm rejeitando sempre nos últimos anos: uma reforma política ampla. A hora, porém, é de romper com paradigmas e a sociedade precisa pressionar para que o país enfrente de vez essa reforma política, que vai abrir caminho para as demais. E são muitas. Chegou a vez de uma reforma administrativa que possa colocar o setor público a serviço não de quem está no poder ou pretende conquistá-lo, como tem ocorrido na história recente, mas da sociedade. Chegou a vez de uma reforma trabalhista, que não desdenhe qualquer possibilidade de acenar com uma recuperação mais rápida do nível de emprego. Chegou a vez de uma reforma previdenciária realmente efetiva, que livre o país de déficits como os enfrentados hoje, e garanta um futuro de maior estabilidade a quem começar a trabalhar a partir de agora. Ainda que inadiáveis, nenhuma dessas transformações será possível sem um governo confiável, que consiga se impor pela austeridade, pelo zelo no uso do dinheiro público, pela ética, que seja capaz de enfrentar as fragilidades do presidencialismo com uma base parlamentar sólida. E isso remete de novo à importância de uma profunda reforma política e partidária, que faça o país contar com legendas em menor número, mas mais comprometidas com programas claros, com eleições menos dispendiosas, com maior rigor na escolha dos candidatos pelos partidos. A hora é de união, não de divisão. A democracia e suas instituições estão prontas para responder aos desafios. Falta, agora, um salto na política e nos políticos e governantes, que, ou se voltam de vez para os reais interesses dos brasileiros, ou estarão em breve conduzindo novamente o país a impasses de alto custo como o enfrentado agora. As prioridades são claras: mais ética, menos corrupção, e melhores condições para que os empreendedores possam empreender, os trabalhadores possam trabalhar, os consumidores possam consumir, livrando o país dessa verdadeira ciranda do retrocesso a que foi levado por incompetência gerencial e política. A democracia e suas instituições estão prontas para responder aos esafios

Edição EDIÇÃO 16967




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