Arquidiocese nos tempos modernos não é somente sede de arcebispado regional ao qual converge pastoralmente os bispos, padres e demais celebrantes da Igreja Católica Apostólica Romana. Essa instituição é também influente agente de transformação social e de luta em defesa dos direitos elementares do homem e do conjunto populacional. Cuiabá celebrou ontem, o primeiro centenário de sua Arquidiocese, que foi criada pelo papa São Pio X, em 5 de abril de 1910. Política e institucionalmente a data foi reverenciada com a realização de Sessão Solene da Assembleia Legislativa requerida e conduzida pelo presidente daquele parlamento, deputado José Riva (PP). Em horários, locais e municípios diferentes, católicos celebraram os 100 anos da presença de arcebispado na Capital mato-grossense. O centenário da Arquidiocese de Cuiabá coincide com a fase de maior transformação política e social no mundo. Essas mudanças não excluíram Mato Grosso, que nesse período deixou a incômoda condição de estado periférico e distante do poder central para se tornar no maior polo produtor de grãos, fibras e carne bovina do Brasil. A Arquidiocese de Cuiabá não foi mera espectadora das mudanças que aconteceram em Mato Grosso. Alguns de seus sacerdotes tiveram participação importante no desenvolvimento do Estado, atuando em diversas áreas sociais, mas sem abrir mão da principal missão religiosa que é a evangelização. Irmã Adelis, em Vera e Matupá; Irmã Vita, em Nova Nazaré; Irmã Luiza na obra social com os xavantes na reserva Sangradouro/Volta Grande e na Pastoral da Criança em Rondonópolis; dom Pedro Casaldáliga, na luta agrária em São Félix do Araguaia; padre João Salarini, em Sinop; padre Johannes Berthold Henning (padre João) criando o Sicredi e a cooperativa Comajul em Juscimeira; missionário Vicente Cañas lavando com seu sangue o caminho para os índios em Juína; padre João Bosco Penido Burnier executado a sangue frio em Ribeirão Cascalheira; padre Lothar Bauchrowitz construindo mais de duas mil casas em Rondonópolis; e tantos outros homens e mulheres ligados à Arquidiocese ajudaram na construção do desenvolvimento e da cidadania nesta Terra de Rondon. Evangelizando e ministrando ensinamentos de cidadania a Arquidiocese está incorporada ao cotidiano do povo. Em Cuiabá, o padre Firmo criou o Movimento Cursilhista que resultou no grande evento anual Vinde e Vede. Não seria possível condensar o trabalho ao longo do tempo realizado por essa instituição religiosa em Mato Grosso. O Diário reconhece a relevância da Arquidiocese de Cuiabá, se irmana aos demais que lhe rendem homenagem pelo centenário e felicita o arcebispo dom Milton dos Santos, representante do papa Bento XVI em Mato Grosso. Que os 100 anos que ora se completam sejam os primeiros de muitos passos da caminhada conjunta da Igreja Católica com o povo mato-grossense. A Arquidiocese de Cuiabá não foi mera espectadora das mudanças que aconteceram em Mato Grosso