NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

Editoriais
Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008, 20h:09

Crise nos vizinhos

A Bolívia, que não consegue pacificar seus graves conflitos internos, vive uma crise que já ultrapassa as fronteiras e começa a repercutir seriamente sobre a economia brasileira. Tanto a tentativa do presidente Evo Morales de impor uma Constituição de extração chavista quanto a reação desenfreada capitaneada pelos governadores da oposição são episódios de uma luta pelo poder que, eles também, ultrapassam os limites aceitáveis numa democracia. A Bolívia, vizinha de nosso país e principal fornecedora do gás natural que sustenta uma parcela significativa de nossas indústrias, é hoje uma referência estratégica. O que ocorre na Bolívia já não pode ser visto como algo distante, quase folclórico, de um país cuja história registra um recorde de golpes de Estado na América. Neste sentido, as informações de que a crise boliviana passou a ter também um componente militar, como referiram autoridades do Itamaraty, tornam a situação especialmente complicada. O crescimento da crise e os aspectos violentos que ela está registrando nos últimos meses e, mais aceleradamente, nos últimos dias está levando as poucas vozes ainda sensatas do país a implorarem por diálogo. O bispo de Potosí, dom Walter Pérez Villamonte, com a autoridade de representante de uma organização profundamente implantada na realidade boliviana, acusou governo e oposição de estarem incentivando “a destruição do país”. Ele denunciou o que qualificou de “extremos de intolerância política” e condenou a soberba e a mesquinhez com que agem “num e no outro lado”. São poucas as vozes bolivianas que neste momento podem elevar-se com autoridade reconhecida e com o respeito da sociedade. A Assembléia Nacional está paralisada pelo conflito político. A Suprema Corte, de cinco membros, só tem uma juíza em suas funções e, mesmo assim, nem governo nem opositores acatam suas decisões. Com as instituições paralisadas, torna-se fácil a proliferação da violência. Os atentados que danificaram o gasoduto e que reduziram o envio de gás ao Brasil são apenas um aspecto selvagem dessa realidade. Ao destruírem a capacidade de exportar gás, os manifestantes destroem uma das mais importantes fontes de riqueza de seu país. O presidente Lula ofereceu-se como possível mediador no conflito interno do país vizinho, mas aparentemente nem o governo nem a oposição estão interessados numa mediação. Os autonomistas dos departamentos da chamada Meia Lua querem constranger o governo a promover concessões. E o governo, respaldado pelo apoio obtido em referendo recente, quer aprovar uma Constituição que lhe daria poderes para impor-se aos governantes regionais. A briga pelo poder, que em alguns episódios ganha contornos de guerra civil, está, sim, destruindo o país, como denunciou o bispo. O continente, ele também dividido entre apoiadores e críticos do estilo de Evo Morales, não pode continuar omisso frente a esses fatos, especialmente porque eles ameaçam a própria continuidade democrática. No caso do Brasil, além de agir em nome dessa inadiável solidariedade continental, precisa investir objetivamente na elaboração de esquemas confiáveis de abastecimento de gás, para evitar que uma crise como a da Bolívia tenha reflexos tão imediatos e tão danosos sobre sua economia. “A Bolívia vive uma crise que já ultrapassa as fronteiras”

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL